Sábado, 20 de Novembro de 2010

Vivendo de trás para a frente, rejuvenescendo. Nascer velho e morrer novo. Benjamin foi um homem que viu a vida com outros olhos. Optimista em relação a tudo revela ataraxia na sua simplicidade. Uma postura paradigma em como atravessar os anos.

 

 

 Destinado a ver morrer quem mais ama, Benjamin não se importa, segue em frente sem nunca arranjar querelas com ninguém. As pessoas passam por ele, entram na sua vida, marcam-no, e quando pensamos que nos iremos centrar em Benjamin Button, enganamo-nos, Benjamin Button é as pessoas que o envolvem.

 

 

Caso peculiar, visto quem deveria merecer mais atenção era Benjamin, não quem o rodeia. Assim o filme é bem sucedido, porque é dedicado ao ser humano, não tenta desenvolver muito uma história incomum, mas sim aproveitá-la para analisar o ser. Uma epopeia na vida deste homem envolvido por pessoas normais e todas elas revelando algo muito próprio. E assim este homem irá dançar ao longo dos anos com a linha da anormalidade, enganando tudo e todos.

 

 

 

A condescendência em como a obra é-nos contada é inerente ao próprio personagem, o saber aproveitar a montagem, a fotografia e a banda sonora para embelezar o belo, marca esta realização. O clássico imprime esta obra, aproveitando uma estética formal e tornando assim o seu percurso visual muito estável. Trata-se de uma película que avança com calma, não tem pressas, sabe aproveitar cada momento e assim emociona. Não vemos ódio neste ecrã, e isso acabará por surpreender, questionamos como é possível não haver ódio nem revolta, e por isso O Estranho Caso de Benjamin Button emociona tanto.

 

 

 Podemos acreditar naquilo em que vivemos, podemos confiar no que nos rodeia, e ficamos intimamente ligados a uma bela paisagem urbana ou paradisíaca. Sentimos aquilo que até então não tínhamos sentido, respiramos novamente com outra densidade, tomamos mais atenção ao rosto que está defronte de nós, e percebemos que deve-se encarar sempre o rosto defronte de nós, afagá-lo e compreendê-lo e só nos resta então escutar.

 

 

publicado por Pedro Emanuel Cabeleira às 14:54

De Diogo Figueira a 21 de Novembro de 2010 às 13:11
Concordo contigo, é um filme sem pressas e que se nota que vive de cada momento que nos dá a mostrar. É um filme belíssimo, que acho muito subvalorizado, e que, por exemplo, está vários furos acima do recente The Social Network.

A fotografia, aqui, é das melhores coisas. Como sempre, a montagem não fica atrás, especialmente na cena em que vemos o "como poderia ter sido" a vida da mulher, sem o acidente.

Bom texto.

Abraço.

De Pedro Emanuel Cabeleira a 13 de Dezembro de 2010 às 10:56
A montagem em Fincher revela-se sempre soberba . The Social Network ainda não tive a oportunidade de ver, mas espero conseguir, visto ser um forte candidato ao Oscar de Melhor Filme este ano.

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