Sábado, 18 de Setembro de 2010

Sequela de um épico memorável. 2ª Parte de uma obra incrivelmente bem elaborada. Estes dois primeiros filmes são notáveis pela forte presença do cinema. A imponência é inesquecível, o resultado é fabuloso, e assim The Godfather: Part II surge tão extraordinário como o primeiro.

 

 

A viagem por uma família poderosa, sentimos o seu poder, e centramo-nos em dois personagens, pai e filho. A analogia entre o comportamento de um e de outro é impecável, dois modos de liderar diferentes mas arrepiantes. Temos um "old-fashioned" Vito e um moderno e mais pragmático Michael.

 

 

Nesta sequela seguimos a funcionalidade da primeira obra, a força da liderança, o poder da presença da personagem Chefe no ecrã. Prosseguimos com a criminalidade e ilegalidade ao mesmo tempo que acompanhamos a ascendência de Vito Corleone ao poder. Esta segunda obra da trilogia pode ser dividida em duas partes igualmente geniais, uma parte quase biográfica e deliciosa ao acompanhar a subida de Vito e outra parte também ela um pouco biográfica, mas com uma intriga que balanceia entre o mistério e o filme de gangster.

 

 

É realmente interessante perceber as posturas diferentes de comandar destas duas personagens. A epopeia de chegada ao poder de Vito Corleone, na minha opinião, é sem dúvida dos momentos mais brilhantes da história do cinema. Jovem e débil rapaz, injustiçado e ciente das injustiças, acabará por subir ao trono com um espírito de coragem e altruísmo. A comparação que há entre Vito e os antigos cavaleiros, sempre respeitados pela sua benevolência, força e audácia revela aquela personagem como transportada de uma fábula para um campo improvável e um pouco irrespirável para esse cavalheirismo clássico. Robert de Niro é impressionante, a sua presença no ecrã como Don é no mínimo espectacular, a calma, a perseverança, a condescendência e o raciocínio são atributos que facilmente qualificamos a personagem pela sua actuação e também por uma realização capaz.

 

 

Do outro lado, se assim o poderei dizer, encontra-se outro jovem, que ao contrário da filantropia de Vito, tem mais tendência a isolar-se, um homem que luta pelos seus interesses de um modo demasiado sóbrio e assustador. A concentração de Michael é arrebatadora, a sua postura tende para a utilidade e menos para os laços, evidencia egoísmo e a pressão do poder, menos escrupuloso e misericordioso não receia ficar só desde que se traduza na sua liderança.

 

 

O clássico e moderno conjugam-se, como o Mundo é magnetizado para o isolamento, acaba-se a força colectiva, vive-se em torno de um Sol, e esse Sol acabará por queimar tudo que se aproxime demasiado perto. Michael é Sol, Vito é profeta tornado mito. O respeito será diferente, um é amado, outro é temido, ambos poderosos e líderes eficazes. Um grandioso clássico que rasga a veia temporal, caminha pela eternidade com tal voracidade que o torna inquebrável. O Padrinho não são gangsters a brincar aos tiros, O Padrinho é exactamente o que o titulo nomeia, o retrato de dois reis natos que apadrinharam uma comunidade tornada família.

 

publicado por Pedro Emanuel Cabeleira às 19:09

De Diogo Figueira a 19 de Setembro de 2010 às 12:55
Um filme, aliás, uma estória (se considerarmos todos os filmes como um só) que, como sabes, também adoro. O argumento brilhante, a identificação que produz na plateia, algo estranho já que é uma realidade tão distante da nossa, a atmosfera criada com os décors, as luzes, a música. Um filme magnífico e cuja segunda parte aqui descreves muito bem, de forma tão rigorosa e sentida.

De Pedro Emanuel Cabeleira a 19 de Setembro de 2010 às 13:26
É verdade, quando vi o Padrinho naquela sala, com as luzes apagadas, no meio de todas aquelas pessoas, senti realmente essa identificação que havia entre o espectador e o que passava diante dos seus olhos, mesmo sendo uma realidade tão distante, o Padrinho há de ser sempre uma obra marcante no cinema, um filme que irrefutavelmente resulta.

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