Domingo, 05 de Setembro de 2010

Matemática e amor, Pascal e cristianismo. Obsessões e probabilidade. Crenças no nada, crenças em dogmas, crenças nas probabilidades, crenças na vida, descredibilizar o amor, homenagear a espontaneidade e relembrar até certo ponto o infortúnio.

 

 

 Eric Rohmer remete o seu cinema para a beleza estética, para a harmonia dos enquadramentos, para a centralidade, para a linearidade que descobre nos objectos, e depois claro, temos o debate humano.

 

 

Onde devemos nós depositar as nossas crenças? Qual o método mais correcto para darmos crédito à nossa subsistência? Rohmer estuda aqui várias teorias que servem como de suporte à sobrevivência. Será pela crença na predestinação, na casualidade? Será na crença de que todos temos uma hipótese, baseada na análise das probabilidades, será na fé em Deus, nos princípios em que nos regemos? Somos sempre fiéis aos nossos princípios, àquilo em que sempre acreditamos? Ma nuit chez Maud é um filme que faz pensar, é um impulso para reinventar o nosso pensamento, para pôr em causa aquilo que até antes não tínhamos posto em causa. Amar ou odiar o infortúnio? Devemos nós acreditar no amor? Será este fácil e não uno?

 

 

 Cada vez que penso mais no filme levanto mais questões, é por isso que Eric Rohmer consegue uma obra de excelência, pela sua complexidade, pela sua inteligência, pelas filosofias que estuda, pela luta que fazemos connosco quando somos submetidos a opostos que resultam, tudo é ambivalente, tudo tem os seus prós e contras. É incerto confiar plenamente numa doutrina.

 

 

O que Rohmer explora é o equilíbrio que temos que manter, regermo-nos por princípios, mas sem esquecer os nosso impulsos, Rohmer explora a humanidade que há dentro de nós. Somos pessoas e consequentemente teremos as nossas imperfeições, respondemos por impulsos e controlamo-nos por princípios, suportamos a vida com base em crenças e Vidal questiona que, se a vida não fizer sentido, para que serve então viver?

publicado por Pedro Emanuel Cabeleira às 13:08

Numa colorida orgia de puro divertimento, Amarcord luta para deixar o espectador fora daquele constrangimento causado por uma agoniante azia que chateia. Dançarinos e poetas, pudicos puritanos e cínicos revoltados, encontra-se uma mescla desmesurada de personagens em Amarcord. Feio, gordos, magros, bonitos, todos presentes numa clássica e formidável ideia do pitoresco reconfortante.

 

 

Entrega-se a uma explosão de loucura volúvel, de entretenimento saudável e de um orgânico descaramento que insinua um cinema múltiplo e complexo. Livre de escolher o caminho que segue, Amarcord conduz o espectador numa viagem sensacional por uma população que do meio nada se exalta e respira comédia. O irrisório inesquecível irá tornar cada momento imprevisível pronto a susceptibilizar o riso descomunal, a sensação natural de alegria e contentamento.

 

 

Uma realização assente num absurdo coerente, em espontaneidades acrescidas, em voluptuosos e aprazíveis corpos femininos, em cheirosos momentos dramáticos, em exagerados rejuvenescimentos pictóricos. Uma teia tão difusa e ao mesmo tempo tão compacta, que irá sublimar cada personagem com direito ao seu tempo de antena. Um virtuoso gesto cinematográfico, singelo e brilhantemente bem-disposto. Uma vitória de Fellini nesta atraente e regozijadora sátira.

publicado por Pedro Emanuel Cabeleira às 12:22

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