Segunda-feira, 30 de Agosto de 2010

De Olhos Abertos é um filme bem realizado, original e com uma intriga fascinante desenvolvida por Alejandro Aménabar.

Vanilla Sky poderá surgir como uma necessidade de propagar uma ideia, não tanto como fim comercial mas mais como necessidade artística. A estrutura mantém-se, Cameron Crowe não abusa, não arrisca até ao ponto de carregar excessivamente a trama, o filme mantém-se com o mesmo propósito inicial.

 

 

 

 

Não se revelou num blockbuster, mas em algo que eu apelido de transposição visual urgente, o que Cameron Crowe viu em “De Olhos Abertos de Aménabar”, foi o que o próprio Aménabar não viu no seu próprio filme. Aménabar terá inerente o mérito por uma obra tão bem conseguida, no entanto Crowe poderá ter eventualmente reconhecido que seria necessária uma beleza acrescida, faltava então o Céu de Baunilha, faltava aquela beleza. Faltava artisticamente falando, uma versatilidade visual mais formal e original, não que Aménabar não o consiga, mas neste aspecto Crowe superioriza-se ao descobrir reformular De Olhos Abertos visualmente. Altera alguns diálogos, corta algumas cenas, acrescenta outras, no entanto penso que Crowe tenta facilitar o processo de compreensão da trama. Não seria necessário na minha óptica, mas esta é a minha subjectividade a trabalhar. Algumas actuações tornam-se fúteis por necessidade de acrescentar aquele modelo típico norte-americano, seja o caso do melhor amigo de David, completamente inferior a personagem neste filme em relação ao seu antecessor, perde toda a voracidade e coerência necessária para emitir um ténue cliché de um melhor amigo sombra. O típico melhor amigo sombra, insuportável como todos os outros, esta intrujice de vida, a personagem principal suporta-se pela descrença que tem no melhor amigo sombra, naquele que é melhor amigo (vá-se lá saber porquê?), somente para a cadência do protagonista aumentar, para ser cada vez mais idolatrado, irritação que me relembrou clássicos com esta situação como “Serenata à Chuva”. Embora em “De Olhos Abertos” haja também este acontecimento de melhor amigo sombra, não se torna tão relevante, não tão cliché, não tão exagerado, talvez pela seriedade do actor do primeiro filme, e não pela tolice do segundo.

 

 

 

Outra situação que demarca a realização de Crowe é a sua fixação pelo Rock, “De Olhos Abertos” tinha uma banda sonora que simulava com sucesso um thriller aterrorizador, a incansável nota musical clássica do thriller, da perseguição paranóica passamos a assistir a uma mais bem-disposta nota musical, boa escolha musical de Crowe, neste caso ambas as bandas sonoras resultam eficazmente.

Quanto a facilitismos, Crowe proporcionou a eliminação do tiroteio final, que acaba por ser compensado por outro facilitismo, a explicação de como o sonho foi feito. Balanceando assim o que retira e o que acrescenta.

 

 

A cena final de Vanilla Sky revela-se mais deliciosa que a De Olhos Abertos e mais proveitosa em termos visuais, deslumbrantes aqueles céus de Monet, e prefiro aquele grande plano do olho ao negro total.

 

Concluindo, Vanilla Sky acaba-se por tornar um remake, que apesar de na minha óptica não ser melhor que o primeiro filme, revela-se outra visão, outra necessidade, e como tal o seu resultado é quase idêntico.

publicado por Pedro Emanuel Cabeleira às 15:33
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