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  <title>estupidomaestro</title>
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  <updated>2012-03-13T20:00:34Z</updated>
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    <author>
      <name>Pedro Emanuel Cabeleira</name>
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    <issued>2012-03-13T19:59:48</issued>
    <title>John Carter</title>
    <published>2012-03-13T20:00:34Z</published>
    <updated>2012-03-13T20:00:34Z</updated>
    <content type="html">&lt;p&gt;Estamos em 2012 e surge um filme chamado &lt;em&gt;John Carter&lt;/em&gt; protagonizado por Taylor Kitsch, uma espécie de novo super-herói arquétipo, um corpo bem moldado que denuncia pouca esperteza.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O filme é realizado por Andrew Stanton que vem do mundo da animação, proposta interessante para realizador que podia trazer uma lufada de ar fresco a um género épico que se parece repetir constantemente. No entanto, o homem que esteve por trás de filmes como &lt;em&gt;Wall-E&lt;/em&gt; e jogando com um estilo altamente iconográfico perde-se desta vez em &lt;em&gt;John Carter&lt;/em&gt; em algo saturado de clichés estilísticos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;John Carter&lt;/em&gt; aparece assim como um filme impaciente, no mau sentido, em que a necessidade de vomitar informação supera de longe a forma como esta é transmitida e assim tudo se passa demasiado rápido para nós podermos envolver com a realidade fantástica que Marte potencia.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O resto do filme é previsível, diálogos absurdos, não trazendo absolutamente nada de novo em que a única coisa que safa é o espectáculo proporcionado por um excelente trabalho de efeitos visuais.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Vivemos numa era em que está mais do que provado que os CGI são capazes de feitos extraordinários, mas que são recorrentemente desperdiçados em filmes que os aplicam de uma forma irrelevante. &lt;em&gt;John Carter&lt;/em&gt; não se destaca porque insiste em ceder a clichés estilísticos e narrativos.&lt;/p&gt;</content>
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    <id>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:estupidomaestro:9083</id>
    <author>
      <name>Pedro Emanuel Cabeleira</name>
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    <issued>2012-02-06T23:48:31</issued>
    <title>Once paradigmático</title>
    <published>2012-02-06T23:58:00Z</published>
    <updated>2012-02-06T23:58:00Z</updated>
    <content type="html">&lt;p&gt;Quando apresento este filme realizado por John Carney dizendo que custou 130.000€ e que fez sensivelmente 20.000.000 de dólares pelo Mundo inteiro, conseguindo o feito de multiplicar cem vezes o seu custo, a resposta que me irão dar provavelmente será que a língua do filme é o inglês.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Antes de mais, não será esse o problema que anula o cinema português neste caso, e o caso de &lt;em&gt;A Arte de Roubar&lt;/em&gt; de Leonel Vieira, também ele falado em inglês que se mostrou mais um falhanço de bilheteira?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Once&lt;/em&gt; não tem super estrelas, provavelmente Glen Hansard e Markéta Irglová não eram estrelas como Nicolau Breyner nem Soraia Chaves, internacionalmente, tanto Hansard como Breyner representam o mesmo a nível de bilheteira, ambas caras desconhecidas até á data, mas que diferença haverá entre um e outro?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Nicolau Breyner em Portugal é uma cara conhecida, Soraia Chaves é um corpo conhecido, sinónimo de qualidade, ou pelo menos ainda leva bastante público português ao cinema pelas suas proezas no acto de simulação sexual, no entanto, internacionalmente Glenn Hansard e Irglová serviram &lt;em&gt;Once &lt;/em&gt;de uma forma muito mais tentadora, nenhum dos dois sendo actor profissional, ambos eram músicos profissionais que no filme representaram extraordinariamente dois músicos de rua com que o público se maravilhou muito mais, pelos vistos cem vezes mais do que se maravilha com o corpo da Soraia Chaves. E não só foi um dos factores do sucesso de bilheteira como deu origem a uma banda sonora que rendeu também imenso no mercado.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Carney recorreu a dois músicos profissionais com características que garantiram o sucesso do filme, a sua genuinidade musical e na representação, e para o efeito vendeu muito mais do que ter um corpo belíssimo ou um autor cujos atributos poéticos assentes em dogmas são pelos vistos sinónimo de qualidade.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O filme também não foi feito em décors complexos, não teve as mais-valias daquilo que a maioria dos cineastas portugueses se defendem, como o carimbo de qualidade da pelicula, uma imagem soberba conseguida com enquadramentos altamente poéticos, o filme não tem nada disso.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Lendo uma entrevista do realizador apercebo-me de uma confiança que não há nos cineastas portuguesas, ele refere-se a ele mesmo como um &lt;em&gt;low-budget filmmaker&lt;/em&gt;, ele sentia-se confortável em trabalhar com pouco orçamento e com actores não profissionais. Ao contrário da maioria dos realizadores portugueses que parece não se quererem encaixar na sua posição de realizadores de filmes low-budget queixando-se de que não há dinheiro para fazer cinema em Portugal quando os seus filmes custam três vezes mais que filmes como o &lt;em&gt;Once&lt;/em&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Enquanto um realizador assume que é capaz de gerir um filme de baixo orçamento, em Portugal onde a prática é recorrente, a teoria mantém-se arrogante como se cada cineasta gerisse um cinema digno de orçamentos astronómicos. Isto resulta em más políticas de gestão de recursos e a desperdiçar dinheiro de uma forma impensável. Será necessário que os cineastas adoptem uma postura de baixo orçamento e que pensem em formas de realização flexíveis e inteligentes que não consumam tudo aquilo que está por trás da câmara deixando vazio aquilo que se mete á frente dela.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O filme foi filmado em digital, os décors eram casas de amigos e foi filmado praticamente com luz natural. Isso abriu imensas portas e uma delas foi que o filme se tornasse concebível. No entanto, baixo-orçamento não significa pouca experiência, e &lt;em&gt;Once&lt;/em&gt; é prova disso, porque todos estes constrangimentos não mostraram perturbar o público que garantiu uma soma total de 20.000.000 de dólares.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Fazer das desvantagens, vantagens, apesar de o filme ter um aspecto extremamente amador, o realizador diz que acaba por ser uma vantagem porque o filme aparenta aquilo que é, um filme feito com pouco orçamento, o que de certa maneira pode ter cativado a curiosidade do público, ver algo feito com tão pouco dinheiro. No final da entrevista, o realizador explica que mesmo que tenha mais dinheiro para o seu próximo filme, irá utilizá-lo cuidadosamente.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Once &lt;/em&gt;vence também o &lt;em&gt;Audience’s Award&lt;/em&gt; no Festival de Sundance, festival longe da realidade portuguesa, demasiado preocupada em satisfação artística e intelectual com festivais como Cannes, Berlim ou outros menos conhecidos cujos nomes para mim se mantêm impronunciáveis.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Apesar de &lt;em&gt;Once &lt;/em&gt;não ter sido um filme com um planeamento virado para as audiências e apesar de não ter feito um estudo de mercado para o seu sucesso, não deixa de ser um exemplo valioso a seguir.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Principalmente por um aspecto que a cinematografia portuguesa enaltece mas tem sido sucessivamente desprezado dado a sua irrelevância é o espírito de criar um objecto único.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Cada cineasta português faz uma abordagem incorrecta ao mercado, ou se pensa que os seus filmes vão valer pelo seu lado imitador de fórmulas quer sejam de Hollywood ou de thrillers britânicos ou pelo seu lado inimitável autoral e artístico que se baseia numa matriz poética já esgotada há imenso tempo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Quando se justifica que o valor no cinema português está intimamente ligado ao seu lado autoral, à sua identidade, ao facto de ser único no mundo, filmes como &lt;em&gt;Once&lt;/em&gt; revelam-se verdadeiramente únicos e conquistam públicos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A verdade é que quando o cinema português se vê confrontado pelo porquê do seu lado único e irrepetível a resposta tende para um estereotipado e ridicularizado lado poético e artístico dos seus filmes, tornando-se assim a justificação tão vaga como os resultados irrelevantes dos seus objectos. No entanto se perguntarmos o que &lt;em&gt;Once&lt;/em&gt; trouxe de novo e único ao Mundo a resposta parece simples, num género em que parecia difícil de inovar, o Musical, que habituou públicos a extravagâncias surge um filme que mantém a qualidade básica do género, ou seja extraordinárias composições musicais, tanto que até venceu o Óscar da Academia para melhor Canção Original e revela um novo lado do musical, único neste filme, que é mostrá-lo como se este surgisse de uma forma natural sem qualquer artifício extravagante com uma genuinidade até então inalcançável.&lt;/p&gt;</content>
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    <author>
      <name>Pedro Emanuel Cabeleira</name>
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    <issued>2011-04-17T14:00:11</issued>
    <title>"Libano" Bem vindos à guerra.</title>
    <published>2011-04-17T13:17:55Z</published>
    <updated>2011-04-17T13:17:55Z</updated>
    <content type="html">&lt;p&gt;Calmamente num campo luzidio de girassóis, o céu azul e puro ilumina o amarelo e o verde das contorcidas flores na sua beleza orgânica e saudável. Fim.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div class="saportecontainer" style="text-align: center;"&gt;&lt;img style="border: 0px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_BDvsj1vHWm4/S-m2850_twI/AAAAAAAABfM/gX9ctAfrho0/s1600/LEBANON.jpeg" alt="" width="413" height="230" /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p id="SAPORTECursorMarker4874"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Estamos num tanque sujo, viscoso, com água que salpica no chão. Entram os soldados, vamos à guerra! Adeus ao que conhecemos como o mundo, estamos dentro de um tanque e ao nosso lado temos soldados sujos que arquejam. Por uma mira telescópica vemos entranhas, vísceras, sangue, demência, vemos o medo, sentimos o medo, deixamos de respirar a guerra, esta é que nos respira. De repente, ouvimos um barulho arrepiante, metal arranha metal, os nossos ossos enregelam, as pupilas dilatam como tal efeito secundário, uma bomba explode, nós arrebentamos o mundo, não queremos, mas somos nós, estragados e temporários espectadores do mal. Ai a claustrofobia! "Libano" é tão aterrador que sentimos picadas nas pernas, sentimos bichos a tomarem o nosso corpo, insectos que nos degolam, que cobrem o nosso ser. Causadores de ruínas, mesmo ao nosso lado!&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div class="saportecontainer" style="text-align: center;"&gt;&lt;img style="border: 0px;" src="http://images.blu-ray.com/reviews/3220_2.jpg" alt="" width="419" height="213" /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;E depois... Quando nos pensam suficientemente perturbados, cheiramos o que nos rodeia. O visco escorre da parede, o sangue escorre dos corpos, e o olhar, o olhar! Como uma injecção, como uma força que transcendi a natureza, como algo irreal, como uma nova experiência da vida, o olho abre-se, vive, aquele olho, é o olho que nos perturba ainda mais! O olho vê, e por causa dele nós vemos! E o mais terrível, é que ao vermos olho, vemo-nos a nós próprios, tão vivos, tão alterados, tão cheios de tudo menos de nada! É triste dizê-lo, mas Libano é revigorante, um filme tão cheio de força. Libano é um filme canibal, devora tudo, devora o espectador. Na verdade o Libano é um filme para adorar, porque dançamos com ele numa bela música, essa música não tem qualquer melodia, não tem qualquer som, é a música da verdade, é a música do negro e ácido dia dentro de um tanque de guerra.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div class="saportecontainer" style="text-align: center;"&gt;&lt;img style="border: 0px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_qNqxDdDgu6Q/TFn0I5bDTUI/AAAAAAAAA8Q/qN7RzjM-FiA/s400/lebanon-movie-Samuel-Maoz4.jpg" alt="" width="409" height="203" /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O aspecto deste dia é tão volúvel, que temos medo de escorregar na porcaria que vai no chão, de explodir dentro do tanque, de morrermos por tudo menos o que esperamos. O Libano é assim, é selvagem. Tão impressionante que amarra o espectador ao seu ferro, ao seu cimento, à sua&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;carne e às suas lágrimas por chorar. Quando respiramos outra vez, já não respiramos da mesma maneira. Cheirámos a podridão.&lt;/p&gt;</content>
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    <author>
      <name>Pedro Emanuel Cabeleira</name>
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    <issued>2011-03-13T16:40:05</issued>
    <title>Entrevista a Vasco Rosa.</title>
    <published>2011-03-13T16:57:03Z</published>
    <updated>2011-03-13T16:57:03Z</updated>
    <content type="html">&lt;p&gt;Em cooperação com Diogo Figueiram, autor do blog &lt;a href="http://agentenaove.blogspot.com/"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;A&lt;em&gt; GENTE NÃO VÊ&lt;/em&gt;&lt;/span&gt; &lt;/a&gt;e com o acompanhamento de Alexandra Corte-Real de Almeida foi realizada uma entrevista a Vasco Rosa.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Jovem realizador e produtor português que irá estrear agora o seu projecto mais recente, "A Chamada". Jovem cineasta que se destaca pela agilidade dos seus métodos produtivos e pela eficácia destes mesmos. De momento encontra-se a preparar "Oblivion", a sua primeira longa-metragem.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Os meus agradecimentos ao Vasco por se ter disponibilizado para esta entrevista.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Sendo uma transcrição de uma conversa, a sintaxe utilizada pode não ser a mais correcta.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Vasco, conhecemos o teu mais re&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;cen&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;te projecto, "A Chamada", e queríamos, para começar, desafiar-te a deixar aqui duas frases que deixem os nossos leitores com vontade de ver o filme.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu acho que é uma história bastante rara porque é um filme passado nos anos 90, em Portugal, e raramente, nos filmes portugueses, fazemos filmes passados noutra época que não a actual. Pelo menos nos anos 90, acho que não pegamos muito nisso; pegamos se calhar nos anos 60 ou 70, mas nunca pegámos nos anos 90. Depois, a outra coisa curiosa é a questão de serem jovens e ser um filme sobre jovens. Normalmente, num filme meu os actores têm sempre a minha idade. Ou seja, no "Últimos Dias" tínhamos todos esta idade mais nova mas fazíamos de adultos e isso não resultou bem, porque tira a credibilidade ao filme e não funciona (foi uma das grandes críticas que lhe foram feitas). Agora, no "A Chamada" os personagens são jovens e são interpretados por jovens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Basicamente, passa-se nos anos 90 e as questões centrais são a esperança e as viagens no tempo. Aquela coisa de que todos nós gostaríamos de voltar atrás no tempo, para mudar alguma coisa da nossa vida, como salvar alguém. Neste caso, é mesmo isso: o Ricardo quer salvar a namorada, que é morta, não se sabe porquê nem por quem e entra num loop temporal, sem saber como é que isso acontece. A missão dele é impedir que a namorada morra. Como não consegue à primeira, tem as tentativas todas que quiser; até conseguir salva-la, o loop não acaba. Eu acho que é um filme emocionante, é um thriller. Não vai criar grandes sustos, as pessoas não vão saltar das cadeiras, mas vão ficar perturbadas e tensas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando acabar vai ser uma espécie de alívio. As pessoas não vão estar à espera que seja aquela pessoa e é quase como o jogo do Cluedo - todos têm uma razão, uma arma e só falta saber quem é. Digamos que é também uma resolução de um assassinato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;De onde é que partiu esta ideia ?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sempre quis fazer um filme de terror. Adoro filmes de terror. E raramente se fazem filmes de terror em Portugal. E eu lembro-me de ir ao Parque da Serafina, no verão, e olhei para a cabine telefónica que está lá, verde, daquelas antigas, e pensei que tinha de filmar aquilo. Ao lado da cabine há um caminho daqueles de terra batida, muito comprido, com umas árvores, e eu comecei a olhar para aquilo e para mim era tudo muito cinematográfico, pedia para ser filmado. Comecei a pensar e surgiu-me a ideia de alguém a passar e, do nada, o telefone toca. É uma coisa estranha, um telefone tocar do nada, quando uma pessoa está a passar. Ele atende e quem é que é: ele próprio. É mesmo estranho, ele ouve a própria voz. E porque é que ele está a falar com ele próprio ? Porque houve ali a tal questão temporal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ideia inicial ia ser com ele próprio a ter morrido, e era quase como se aparecesse o fantasma dele, que ali pairava para sempre e o avisava - "não saias para o parque de estacionamento porque vão assaltar-te, dar-te uma facada e vais morrer". Depois alterámos essa versão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Mas não foste tu que escreveste o argumento.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não. Eu antes fazia de tudo um pouco. Mas quero começar a especializar-me (realização e produção). Acho que todos nós somos melhores numas coisas do que noutras e estarmos a fazer aquela coisa de ter o nosso nome espalhado em todo o lado, nos créditos finais, é do género "ah faço tudo, sou muito bom, não preciso de ninguém". É assim, eu preciso de montes de pessoas. Até há pouquíssimo tempo era eu não tinha ninguém a fazer os filmes comigo; fazia quase tudo sozinho, por necessidade. Claro que não me importo de fazer de tudo um pouco; tudo é interessante. Mas, por exemplo, há muitos anos que não escrevo e achei que era muito mais interessante pedir a uma pessoa que escrevesse bem e que conseguisse fazer aquilo rapidamente, que conseguisse trabalhar muitas versões, para eu produzir e realizar aquele argumento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu e o Miguel Cravo (ideia original) começámos a fazer umas notas, até foi num guardanapo, na esplanada da Serafina, esboçámos as ideias que queríamos e o Joel Gomes, que é o argumentista, desenvolveu. Fez sete versões e filmámos a versão final.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;E durante a escrita do argumento, houve muito trabalho de pré-produção ?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Foi muito rápido, o "A Chamada". Demorou apenas dois meses, sendo que costumo demorar cerca de seis ou sete. Demorou dois porque eu disse ao Joel que queria filmar em Setembro, algo que teve a ver com a disponibilidade dos actores com que íamos trabalhar ao início, mas que acabaram por sair do projecto. Acabei por contactar os agentes de novos actores, do Fernando Pires e da Ana Marta Ferreira, sendo que o Fernando disse logo que sim e perguntou se queria ajuda e a Ana Marta também ficou logo muito entusiasmada. O Fernando fez um grande esforço: ia gravar a telenovela "Sedução" e ia a correr a Lisboa gravar o "A Chamada"; ele não parava.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div class="saportecontainer" style="text-align: center;"&gt;&lt;img style="border: 0px;" src="http://www.byronproducoes.com/byron/images/byron/achamada-youtube.jpg" alt="" width="353" height="486" /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Como é que reuniste esta equipa, como está a ser trabalhar com eles e de que forma é que vês neles uma plataforma sólida para uma colaboração futura ?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Reunir a equipa não foi fácil. São imensas pessoas e eu nunca tinha feito uma produção minha com tantas pessoas. Houve alguns problemas porque contratei uma equipa de produção que não conhecia muito bem, mas precisava mesmo deles. Desiludiram-me - lembro-me de estar na Serafina, a meio de uma filmagem, à noite, e estávamos a discutir. Eu queria ir realizar o filme e havia sempre um problema. Mas, por outro lado, enquanto eu tratava disso, toda a gente estava a ensaiar, apesar de eu não estar lá. No "Últimos Dias", sem mim ninguém estaria a fazer nada porque éramos muito poucos e não havia essa dinâmica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como disse, reuni-los não foi nada fácil. Até porque eram pessoas de várias áreas e a maior parte só se conheceu nas filmagens. A ideia original era reunir uma equipa que se conhecesse no "A Chamada" e depois pudesse fazer o "Oblivion", quando este ainda era para ser uma curta. Como agora o "Oblivion" já vai ser uma longa, a pagar, vou contratar os melhores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E depois, se há coisas boas em reunir equipas jovens, também há coisas más. É que há uns que estão dispostos e outros que nunca estão dispostos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;No "A Chamada", ainda não conseguiste que a equipa e os actores fossem remunerados ?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Mas todos aceitaram trabalhar sem problemas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As pessoas ficam muito admiradas, nomeadamente em relação aos actores. Mas se calhar os actores até têm ainda mais interesse em trabalhar sem receber do que o cameraman ou o director de fotografia. Porque, claro que ganham todos currículo, só que o actor está sempre em frente à câmara, sempre a ter visibilidade, vai aparecer, vai ser entrevistado, vai falar do filme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Tens apostado numa divulgação do projecto de forma muito dinâmica, através de Youtube, Facebook, e afins. Tens em vista outro mecanismo de marketing ?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez o Sapo Cinema. A ideia era fazerem passatempos para oferecerem convites para a antestreia do "A Chamada" em Março, realizar entrevistas com os actores, etc. Para mim o Youtube é essencial e o Facebook também tem dado imenso jeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;E televisão ?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para o Oblivion, só. Só faz sentido fazer isso para uma longa, porque o "A Chamada" não vai estar à venda, não vai estar nas bilheteiras. Eu até estou em contacto com uma pessoa da ZON para fazer a antestreia e eles já me perguntaram se eu tinha plano de distribuição. Eu interpretei isso como uma questão sobre estar interessado em mostrar o filme nos cinemas, ainda antes de uma longa. Se eles realmente me tivessem dado essa oportunidade, eu dizia que não. "A Chamada" ainda não tem categoria para ir para o cinema; quero ir para o cinema com o "Oblivion".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Muito do que os cineastas portugueses se queixam tem a ver com a pós-produção de som. Sentes esse problema ?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por acaso não. Realmente os filmes portugueses têm sempre um som muito estranho, com dobragens mal feitas, por exemplo. Se for bem feito, é fácil dobrar um filme - o "A Chamada" vai ser dobrado. Dá é muito trabalho, mas eu estou a trabalhar com um pós-produtor de som inglês, o Henry Nesbitt, que tem imensa experiência e não tem tido problemas nenhuns.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Tens algum circuito de festivais em mente, para o "A Chamada" ?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho. Eu queria participar no Fantasporto, mas estou um bocado desiludido com eles. Eu fui num ano na abertura do festival passaram o tempo a dizer mal de Lisboa. No outro dia mandei-lhes um mail a pedir para me poder inscrever ainda, sendo que as inscrições tinham terminado em Dezembro, porque ainda não tinha o filme terminado. Nem me responderam. Bom, li no site que tiveram muitas inscrições e se calhar foi por isso; passou-lhes ou não tiveram tempo. Mas normalmente nunca há problema nos outros festivais, mando um work in progress e depois envio o filme terminado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois há o Sitges, em Barcelona, que é quase os Óscares do cinema fantástico, há o MoteLx, e não tenho muito mais. Não estou estou inclinado ainda para grandes festivais, vou é apostar a sério em inscrever o Oblivion, em festivais como o Sundance ou Tribeca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Há uma coisa que os cineastas portugueses entendem como paradigma: um filme português não lucra nem nunca lucrará. Achas que é possível ?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depende muito do que queres dizer com "lucrar". Uma longa portuguesa, por mais que seja distribuída nas salas portuguesas, dificilmente se paga. Por exemplo, o "Oblivion", se for para os cinemas vai-se pagar, porque estamos a pensar gastar, no máximo, 20.000€. Para mim, é muito dinheiro, mas para uma longa é pouquíssimo. Mas eu sei que o vou conseguir fazer. Por exemplo, em Portugal, uma longa custa em média 500.000€.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Mas esses filmes têm o apoio do ICA.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois, o ICA ... Uma vez uma senhora que trabalhava no ICA perguntou-me, muito admirada, como é que eu tinha conseguido fazer o "Últimos Dias" com tão poucos meios. Mas por exemplo, porque razão é que eu, jovem realizador, se quiser candidatar-me ao apoio do ICA, não posso ? Não posso, não tenho uma produtora registada. A Byron ainda não está registada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;E há o problema dos critérios, dos objectivos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já me contaram histórias. E é por isso que nunca vou perder tempo a imprimir um projecto para o ICA.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Até porque é importante apostar em produzir independentemente do Estado.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, os privados. Eu acho que a chave para o cinema português são os privados. Claro que é difícil, mas é possível. Por exemplo a PT, apesar de ser apenas semi-privada, pôs lá a cabine. A maior parte das pessoas deve pensar que o director é meu tio ou algo do género. Mas não é. Não tinha lá nenhum contacto, sequer.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;É preciso ter tenacidade e saber procurar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Exactamente.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Voltando ao lucro do cinema português.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O máximo que um filme português tem é à volta de 300.000 espectadores. Mas a não ser que um filme custe 20.000€ como o "Oblivion", o filme não se paga. Por isso, a minha ideia é fazer filmes que se possam exportar. O mercado brasileiro está completamente desperdiçado, que têm de ver os nossos filmes - eles falam a mesma língua que nós. Espanha, que estão próximos. África, eventualmente e os Estados Unidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os maiores sucessos nacionais foram produzidos pelo Tino Navarro, com o Joaquim Leitão a realizar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Podemos passar, então, ao Oblivion. Como é passar da produção de uma curta para uma longa ?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O "Oblivion" era para ser uma curta. Mas muita gente insistiu que fizesse uma longa. Eu queria esperar mais uns anos, mas as pessoas acreditavam no potencial. Mas tinha de ser desta. Eu acho que o cinema só atinge a sua verdadeira essência numa longa. Numa curta não tens tempo para, como espectador, conseguires viver aquilo a sério. E eu decidi fazer uma longa também porque as filmagens do "A Chamada" foram muito duras e eu não conseguia trabalhar naquelas condições, sem ter uma equipa a receber. Tinha de começar a haver dinheiro envolvido; é também uma questão de sobrevivência. Uma pessoa tem de viver e isto é uma profissão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Mas existe muito a mentalidade de que o cinema deve ser pobre.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois são pobres, têm de ir pedir dinheiro aos outros e fazem filmes que ninguém vê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Levantas o véu a alguma das surpresas que nos esperam, em "Oblivion" ?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O protagonista é o Pedro Martin, é um dos melhores modelos do país. Gravou recentemente para a série "Vôo Directo" (RTP) e ainda não fez mais nada de grande destaque ao nível de interpretação. Mas quando eu vejo alguém que encaixa mesmo no perfil que eu quero, nem quero saber se é actor ou não. Eu filmei com ele uma curta ("O Dia D"), há uns tempos, e adorei trabalhar com ele. Precisa de muitos ensaios, é verdade, mas chega lá. Nessa tal curta, o melhor momento dele foi quando ele brindou - ele está habituado a fazer muita publicidade e sabe fazer aquele sorriso "comprem". Portanto, ele sabe fingir uma coisa que não é. E esse é o James, um prostituto de luxo infeliz, que tem de estar sempre com um ar de glamour.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Vais também trabalhar com um estilista conceituado, o João Rolo. Como chegaste até ele?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi muito complicado, eu liguei para o ateliê dele mas ninguém atendeu porque já estava fechado, depois adicionei-o no facebook, mandei-lhe um mail, ele foi super simpático e disse logo que sim. Aconselharam-me a falar com João Rolo porque ele era a pessoa indicada, porque é ele quem faz vestidos de alta-costura, para prémios é ele que faz, e ele faz um tipo de vestido com muito glamour que é aquilo que o filme pede. E é muito bom ele ter aceitado visto o vestido ser um aspecto da rapariga ser um aspecto fundamental do filme, para haver o contraste entre o vestido e a face dela, como ela se quer matar vai estar sempre com a maquilhagem toda borrada, cabelo desgrenhado e um vestido comprido e sofisticado. É aquela dicotomia entre o sofrimento interior mas por fora é uma mulher bela, rica, invejada por qualquer pessoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;No Oblivion também vais apostar forte no marketing?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, desses 20.000€ estamos a pensar em gastar 5.000 em publicidade, fazer montes de cartazes, standees nos cinemas, anúncios de televisão, outdoors, mupis, fazer uma secção só do “Oblivion” no site da Byron, continuar a apostar no facebook, acho que é essencial. O trailer tem de ser super apelativo, colocá-lo em várias plataformas. Ainda tenho de pensar se quero tentar primeiro a glória e o prestígio dos festivais ou se quero sobreviver e ver o meu filme no cinema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Preferes digital ou película?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu só posso preferir digital, eu nem posso pensar em película se nunca vou poder tê-la. Acho que com o digital consegue-se perfeitamente. Se tu souberes o que fazes resulta, por exemplo, no “Fá-las curtas” era digital e tinha uma imagem excelente, tem cor, tem vida, estou a adorar, só espero que agora não escureçam, porque as têm passado até agora têm sido muito escuras. Mas acho estranho, porque está a ser usada uma câmara HD com muita qualidade e quando nos mostram os brutos nos monitores tem uma qualidade espectacular. “A Chamada”, por exemplo, foi filmada com uma máquina fotográfica, a Canon 550D.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Quais as obras que intensificaram a tua relação com a sétima arte?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu quando vejo um filme, eu vivo muito um filme como espectador normal. Odeio dissecar filmes, tenho muita dificuldade em dissecar um filme, há muitos filmes que vi e adoro, mas não sei necessariamente quem realizou e o nome do filme, por vezes nem sei os nomes dos filmes. No “Fá-las curtas” disse “Titanic” e assim, e vão pensar, “este gajo só gosta de blockbusters”, mas por exemplo o “Belle De Jour” de Buñuel é um filme que está lá. Depois há aqueles filmes que eu refiro sempre, “Titanic”, o “Malèna”, “Cinema Paraíso”. “E Tudo o Vento Levou” foi a melhor sessão de cinema da minha vida, fui vê-lo à Cinemateca quando estava a chover, é formidável ir ao cinema quando está a chover, o filme é de 1939 e tem tecnologia e dinâmica que nós nem em 2030 vamos alcançar, uma actriz com quatro anos que representa melhor que ninguém, os efeitos da cidade a arder com os meios que tinham, eles tinham muito dinheiro, mas é preciso mais que isso, se qualquer dia fizer um filme como este, posso morrer logo a seguir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Sentes que tens alguma influencia em particular de algum realizador?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É aquela coisa, eu às vezes nem te sei dizer quem é. Eu se calhar já vi aquele filme, mas não sei de quem é. Eu acho que não há ninguém em particular, mas por&lt;br /&gt;exemplo aquele filme francês que é o “Alta Tensão” que é de terror, não sei quem realizou, mas foi um filme que influenciou “A Chamada”. Não tenho nomes específicos, mas sei que não nasceu comigo, tu vais buscar as influências a tudo o que vês, inconscientemente. Para “A Chamada”, “Frequência” também foi uma referência. Mas tem de haver referências, no teatro, quando lês, etc…&lt;br /&gt;Mas também vou buscar a episódios estranhos que me acontecem, uma vez estava no metro, estava sentado e um gajo começa a cantar e virou-se para mim e perguntou-me se cantava bem e depois começou a contar a história da vida dele, que sempre quis ser cantor, e quando estamos tristes temos que cantar, e que não queria dinheiro, queria apenas cantar para animar as pessoas no metro, queria fazer as pessoas felizes. E aí está um grande personagem!&lt;br /&gt;Por vezes também surgem nos sonhos. Eu sonho todas as noites, e todas as noites me lembro do que sonho. O que é bom e é mau, por vezes é um bocado complicado, confunde-se um bocado a realidade com a vida do sonho, se aconteceu ou não aconteceu, já cheguei a discutir com a minha irmã num sonho e de manhã acordo mal disposto com ela. Às vezes preferia-me não lembrar, às vezes aponto, mas outras vezes é demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Qual é o teu filme português favorito?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho dois, “Costa dos Murmúrios” de Margarida Cardoso e “Zona J” de Leonel Vieira, que é um dos realizadores que eu prefiro em Portugal. “Costa dos Murmúrios” é com a Beatriz Batarda que é a minha actriz portuguesa favorita, ela é genial, “A Costa dos Murmúrios” é passada numa colónia em Moçambique na década de 70 que é uma época que adoro. Também adorei o “Mal Nascida” do Canijo, principalmente pela transformação da Anabela Moreira, gostei muito da imagem, do som, e a representação estava muito credível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Onde te vês daqui a dez anos?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou ser sincero, daqui a dez anos, espero estar em Los Angeles e a sobreviver com o dinheiro dos meus filmes, não ser multimilionário, mas já estar a ganhar dinheiro a sério, espero estar lá, mas ter deixado cá uma marca. Espero ir para lá e espero que seja com o “Oblivion”, que é mesmo a minha aposta, para que me vejam como realizador mais do que outra coisa qualquer, porque “A Chamada” ainda não me vai mostrar como realizador, mas espero que no “Oblivion” olhem para mim e digam: “Ok, o Vasco Rosa e é um realizador”.&lt;/p&gt;
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  <entry>
    <id>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:estupidomaestro:8209</id>
    <author>
      <name>Pedro Emanuel Cabeleira</name>
    </author>
    <link rel="alternate" type="text/html" href="http://estupidomaestro.blogs.sapo.pt/8209.html"/>
    <issued>2011-01-31T22:34:32</issued>
    <title>Cinema de autor</title>
    <published>2011-01-31T22:39:07Z</published>
    <updated>2011-01-31T22:39:07Z</updated>
    <content type="html">&lt;p&gt;“&lt;em&gt;Um autor não tem direitos. Eu não tenho nenhum, apenas deveres&lt;/em&gt;” Jean Luc Godard&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Pegando numa citação de Jean-Luc Godard, defensor máximo de uma identidade de autor, cimentada por uma maioria de “autores” de um país e&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;de uma certa arte, apesar de não acreditar na ausência de direitos penso antes sobre quais deverão ser uns e outros.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Se um autor tem o &lt;strong&gt;direito &lt;/strong&gt;a uma identidade, tem o &lt;strong&gt;dever &lt;/strong&gt;de não se acomodar a ela.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Se um autor tem o &lt;strong&gt;direito&lt;/strong&gt; a exprimir-se, tem o &lt;strong&gt;dever&lt;/strong&gt; de compreender a arte pela qual se exprime.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Se um autor tem o &lt;strong&gt;direito&lt;/strong&gt; de ser livre, tem o &lt;strong&gt;dever &lt;/strong&gt;de trabalhar essa liberdade.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Se um autor tem o &lt;strong&gt;direito&lt;/strong&gt; à liberdade, tem o &lt;strong&gt;dever&lt;/strong&gt; de excluir egoísmos e autismos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Se um autor tem o &lt;strong&gt;direito&lt;/strong&gt; a exprimir-se, tem o &lt;strong&gt;dever &lt;/strong&gt;de se actualizar sobre os métodos e competências técnicas que surgem intrínsecos à sua forma de expressão.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Se um autor tem o &lt;strong&gt;direito&lt;/strong&gt; a um rosto, tem o &lt;strong&gt;dever&lt;/strong&gt; de não o esconder por trás de uma máscara.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Se um autor tem o &lt;strong&gt;direito &lt;/strong&gt;à poesia, tem o &lt;strong&gt;dever &lt;/strong&gt;de fazer poesia, não forçar ambiguidades irrelevantes ou tomar posturas demagogas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Se um autor tem o &lt;strong&gt;direito&lt;/strong&gt; de falar por um povo, tem o &lt;strong&gt;dever &lt;/strong&gt;de falar por esse povo e não falar somente para esse povo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Se um autor tem o &lt;strong&gt;direito&lt;/strong&gt; de ser remunerado, tem o &lt;strong&gt;dever&lt;/strong&gt; de agir com profissionalismo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Se um autor tem o &lt;strong&gt;direito&lt;/strong&gt; à espontaneidade, tem o &lt;strong&gt;dever &lt;/strong&gt;de ruminar essa espontaneidade.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Se um autor tem o &lt;strong&gt;direito &lt;/strong&gt;de confiar em si, tem o &lt;strong&gt;dever &lt;/strong&gt;de confiar no julgamento de outros.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Se um autor tem o &lt;strong&gt;direito &lt;/strong&gt;de recusar abordagens aos seus projectos, tem o &lt;strong&gt;dever &lt;/strong&gt;de justificar essas recusas evitando suportar-se em&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;argumentos vagos, análogos do vazio.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Se um autor tem o &lt;strong&gt;direito&lt;/strong&gt; de não fazer filmes para crianças, tem o &lt;strong&gt;dever&lt;/strong&gt; de não criar diálogos e personagens como crianças.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Se um autor tem o &lt;strong&gt;direito &lt;/strong&gt;a errar, tem o &lt;strong&gt;dever&lt;/strong&gt; de compreender e tentar contornar o erro.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Se um autor tem o &lt;strong&gt;direito &lt;/strong&gt;a não contar uma história, tem o &lt;strong&gt;dever &lt;/strong&gt;de não chamar “burros” ou “ignorantes” àqueles que não percebem o que não&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;existe.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Se um autor tem o &lt;strong&gt;direito&lt;/strong&gt; a recorrer a práticas menos interessantes, tem o &lt;strong&gt;dever&lt;/strong&gt; de o fazer de um modo universal de modo a que a universalidade cubra o método.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Se um autor tem o &lt;strong&gt;direito &lt;/strong&gt;a vitimizar-se, tem o &lt;strong&gt;dever&lt;/strong&gt; de não fazer vitima uma audiência.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Se um autor tem o &lt;strong&gt;direito &lt;/strong&gt;a realizar obras junto de um público que não o compreende, tem o &lt;strong&gt;dever&lt;/strong&gt; de tentar compreender o porquê de não haver público, não só junto de si, mas também no resto do Mundo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Se um autor tem o &lt;strong&gt;direito&lt;/strong&gt; à liberdade, tem o &lt;strong&gt;dever&lt;/strong&gt; de tornar interessante a sua obra, principalmente quando está ciente de que esta desinteressa.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Se um autor tem o &lt;strong&gt;direito &lt;/strong&gt;a experimentar, tem o &lt;strong&gt;dever&lt;/strong&gt; de experimentar inovando e não de “experimentar” copiando.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Se um autor tem o &lt;strong&gt;direito &lt;/strong&gt;a ser diferente, tem o &lt;strong&gt;dever&lt;/strong&gt; de se destacar pelo interesse e originalidade dessa diferença e não ser diferente apenas por ser.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Se um autor tem o &lt;strong&gt;direito &lt;/strong&gt;a fundos de um Estado, tem o &lt;strong&gt;dever &lt;/strong&gt;de contribuir para o seu desenvolvimento.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Se um autor tem o &lt;strong&gt;direito &lt;/strong&gt;a ser artista, tem o &lt;strong&gt;dever&lt;/strong&gt; de fazer com que a sua obra seja publicada, difundida e confirmada.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Um autor tem o &lt;strong&gt;direito &lt;/strong&gt;de se assumir como autor.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Um autor tem o &lt;strong&gt;dever&lt;/strong&gt; de não se conformar com essa posição de autor.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Um autor tem o &lt;strong&gt;dever &lt;/strong&gt;de credibilizar essa posição não só junto de si mas pelo resto desta esfera manchada de água e terra.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;</content>
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  <entry>
    <id>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:estupidomaestro:8184</id>
    <author>
      <name>Pedro Emanuel Cabeleira</name>
    </author>
    <link rel="alternate" type="text/html" href="http://estupidomaestro.blogs.sapo.pt/8184.html"/>
    <issued>2011-01-27T22:15:54</issued>
    <title>"Haverá Sangue" A obra-prima do séc.</title>
    <published>2011-01-27T22:39:25Z</published>
    <updated>2011-01-27T22:39:25Z</updated>
    <content type="html">&lt;p&gt;P.T. Anderson tem-se vindo a afirmar como um realizador de excelência com os seus trabalhos anteriores. No entanto "Haverá Sangue" é prova dessa excelência, é o grito de existência de um génio, é a marca de uma obra-prima. "Haverá Sangue" é o melhor da década e é, indubitavelmente, um dos melhores filmes da história do Cinema.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div class="saportecontainer" style="text-align: center;"&gt;&lt;img style="border: 0px;" src="http://filmgrab.files.wordpress.com/2010/08/04-on-floor.png" alt="" width="406" height="176" /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p id="SAPORTECursorMarker9213"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O arquétipo de como aproveitar os meios, de como conjugar as forças de uma equipa coordenada pelo novo génio cinematográfico, um novo Kubrick, seu nome P.T. Anderson. Versátil no género, versátil com a câmara, "Haverá Sangue" é um filme calmamente arrepiante, de tal modo arrepiante que tudo treme ao vê-lo e a ouvi-lo, tudo treme de frio, de perturbação, tudo fica céptico, tudo se deixa cair no nosso ser aos pés de uma jornada incomparável de um homem, Daniel Plainview. Tão calmo, longos planos, invadidos de um tratamento condescendente, que dá tempo a tudo o que filma, que dá tempo à beleza da imagem, à frieza dos acordes musicais e à profundidade de voz e expressão dos personagens.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div class="saportecontainer" style="text-align: center;"&gt;&lt;img style="border: 0px;" src="http://filmgrab.files.wordpress.com/2010/08/09-wider.png" alt="" width="406" height="188" /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p id="SAPORTECursorMarker1237"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; E é com uma calma confusa, que um ardente grito de violino incendeia os sentidos, ao mesmo tempo que do negro passamos para a imagem, para o completo, para o sublime, uma enorme encosta, despida, rija, seca, imponente, estrondosa, tal como Daniel. Uma picareta bate em pedra dura, um homem só, numa mina, num buraco. Um homem que parte uma perna, que rasteja pelo meio do nada, por cima de terrenos agrestes, aceitando tal penitência silenciosamente, em favor do sucesso.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div class="saportecontainer" style="text-align: center;"&gt;&lt;img style="border: 0px;" src="http://filmgrab.files.wordpress.com/2010/08/19-cool-sky.png" alt="" width="410" height="186" /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p id="SAPORTECursorMarker310"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Não há qualquer palavra no inicio de "Haverá Sangue", e quando temos conhecimento da fala neste, a primeira vez em que se coordena voz e gesticular ouvimos tais palavras: "If I say I´m an oil man you will agree". E todos concordam, o que há para discordar? Deste homem negro como o petróleo que extrai das entranhas da terra. Tudo fica manchado de negro, vermelho e suor. É esta sujidade, tão própria da vida, que faz com que esta perturbadora obra sobre a ganância, a avareza, a solidão, seja encarada cheia de vida, vida morta, que tem aquilo ainda não morto, mas certamente perto, é da natureza que cresce, que liberta a calma e a condescendência de um processo lento.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div class="saportecontainer" style="text-align: center;"&gt;&lt;img style="border: 0px;" src="http://filmgrab.files.wordpress.com/2010/08/23-congregation.png" alt="" width="423" height="187" /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p id="SAPORTECursorMarker2182"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Daniel Plainview é assim a bandeira de um novo cinema, de uma nova dialéctica, sem receio em se esconder em narrativas clássicas, numa prosa sem narrador, onde Anderson abusa vorazmente da narrativa cinematográfica, apenas por imagens, trabalha com aquilo que vemos, encena tudo que está diante de si, cria essa realidade crua, esse medo pela proximidade, pelo fascínio em estar de fora, estar tão afastado que transpomos a barreira que nos separa do que vemos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div class="saportecontainer" style="text-align: center;"&gt;&lt;img style="border: 0px;" src="http://filmgrab.files.wordpress.com/2010/08/32-signal.png" alt="" width="433" height="175" /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p id="SAPORTECursorMarker737"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Esta narrativa cinematográfica é tão forte que ficamos intrínsecos à história, é este novo cinema, de contar uma história por imagens e sons, este novo cinema de P.T. Anderson em "Haverá Sangue", que finalmente ultrapassa o limite entre a poesia e a prosa, entre o indecifrável e o conciso, porque o que nos é revelado é, se não dos mais belos poemas, sem propriamente se tratar de um paradigma do egoísmo ou do individualismo, cuidado, não falo sobre a história, mas sobre o processo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div class="saportecontainer" style="text-align: center;"&gt;&lt;img style="border: 0px;" src="http://filmgrab.files.wordpress.com/2010/08/34-oil-pond.png" alt="" width="432" height="180" /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p id="SAPORTECursorMarker1293"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; É o aproveitar dos meios, é uma produção ágil, após um processo de investigação é recriar o que existiu, pensar onde colocar a câmara, e fascinar, é fazer com que violino arranhe piano, com que a imagem fira a alma, com que o ser se sinta invadido pelo sublime, pelo belo. Uma obra de arte não é efémera, caminha sem se desarticular nunca com o tempo, uma obra de arte fica ligada a uma pessoa até ao fim da sua vida, assume-se como parte da vida de outrem sem ser a do seu criador.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div class="saportecontainer" style="text-align: center;"&gt;&lt;img style="border: 0px;" src="http://filmgrab.files.wordpress.com/2010/08/52-church.png" alt="" width="431" height="189" /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p id="SAPORTECursorMarker196"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; "Haverá Sangue" é uma obra de arte, duradoura, eterna, é cinema, é a prova do belo na sétima arte, a revelação do estranho, é tornar grandiosa a realidade, é conseguir arrancar naturalmente todo o Mundo, é a transformação do homem no transcendente, sem no entanto confundir. Isto é arte, esta poesia que se percebe e não ofusca, que não tem contratos com a ambiguidade. Se há ambiguidade em "Haverá Sangue" é porque surge naturalmente, não forçada porque é moda ou porque se pensa que é a fórmula para um sucesso garantido. "Haverá Sangue" é aquilo que é, o cinema que conquista um publico.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div class="saportecontainer" style="text-align: center;"&gt;&lt;img style="border: 0px;" src="http://filmgrab.files.wordpress.com/2010/08/59-downstairs.png" alt="" width="441" height="180" /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p id="SAPORTECursorMarker930"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;"Haverá Sangue" é o cinema aclamado mundialmente, e com toda a razão, é o cinema que serve de modelo a uma geração, "Haverá Sangue" é o cinema que deve inspirar novos cineastas, deve ser o marco do devir.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div class="saportecontainer" style="text-align: center;"&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;img style="border: 0px;" src="http://filmgrab.files.wordpress.com/2010/08/01-hills.png" alt="" width="449" height="179" /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p id="SAPORTECursorMarker8822"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div class="saportecontainer" style="text-align: center;"&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div class="saportecontainer" style="text-align: center;"&gt;
&lt;div class="saportecontainer" style="text-align: center;"&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
 &lt;/div&gt;
 &lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p id="SAPORTECursorMarker8935"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;</content>
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    <id>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:estupidomaestro:7790</id>
    <author>
      <name>Pedro Emanuel Cabeleira</name>
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    <issued>2010-12-29T23:10:02</issued>
    <title>"O Fantasma" Onde o espectador é sacrificado</title>
    <published>2010-12-29T23:11:14Z</published>
    <updated>2010-12-29T23:11:14Z</updated>
    <content type="html">&lt;p&gt;João Pedro Rodrigues é um chato. Se há algo que certamente não volto a repetir é ver um filme deste “autor”.  &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Porquê filmar sucessões de acontecimentos desconexas, ilógicas e desinteressantes? Porquê esta necessidade de forçar o artístico, o metafísico ou o poético? É assim que se faz cinema quando se conforma que não há público?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Pois bem, este “O Fantasma”, é dos filmes mais enfadonhos que vi na vida, além do mais “O Fantasma” é feio visualmente.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Depois não tem história, aquilo não é uma história. Passados cinco minutos de filme, a primeira coisa que comecei a desejar foi que o personagem morresse e que o filme terminasse imediatamente. Não encontro nenhuma tentativa de revelar uma auto-descoberta ou o que quer que seja, não compreendo qual a mensagem que o realizador pretende passar com este filme. Mas há alguma mensagem? Sim, eu já percebi que o protagonista é gay, chegam-me cinco segundos do segundo plano. É como se tivesse alguém a soprar-me uma vuvuzela aos ouvidos vinte vezes só para me mostrar que sabe soprar a vuvuzela, eu percebi à primeira. Depois que razão é essa de revelar as suas tendências caninas? Porque raio lambe ele a rapariga? Porque raio eu tenho que o ver a vaguear no meio do lixo por tempo excessivo?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;João Pedro Rodrigues terá dito “…não sei muito bem se o mistério sempre é revelado ou “passa” para quem vê o filme”. Bem, neste caso não passou.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div class="saportecontainer" style="text-align: center;"&gt;&lt;img style="border: 0px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_r8VP3yxjHVU/TEcUmzO8WbI/AAAAAAAAADI/kbvoRaoP6vA/s1600/filme.jpg" alt="" width="270" height="368" /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Sim, é verdade que o cinema é uma coisa onde a narrativa tem de ser o mais ambígua e confusa possível, é verdade que o cinema deve ser algo que não renda, é verdade que o cinema deve ser visto pelo menor número de pessoas possíveis, é verdade que o cinema deve tentar ser o mais verdadeiro possível, ter apenas os artifícios indispensáveis, porque se não, pode correr o risco de se tornar interessante, de divertir, de emocionar, de transmitir algo ao espectador, e não é isso para que o cinema serve!&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;É muito melhor ver olhares vagos que não dizem nada, pessoas que no meio do nada começam a trocar carícias, rapazes a terem sexo com motas, a lamberem paredes de balneário ou caras de raparigas, a brincarem com cães que a meio do filme se evaporam, porque isto tudo é mais verdadeiro! Porque é isto que faz o bom cinema, é introduzir elementos que depois não irão ter qualquer desenvolvimento na “trama”, mas atenção, também não é preciso haver trama.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Não usem banda musical, isso não! Por favor, há que respeitar o silêncio, este tem que estar tão presente de modo a tornar-se vulgar, porque se tornar o silêncio vulgar este não vai entediar minimamente mas sim transmitir imensas mensagens metafísicas, é poético, sim!&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Só não percebo porque é que Kubrick tinha música nos seus filmes. Realmente não tem sentido.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;E histórias sem desenlace são mais interessantes, porque assim o espectador é obrigado a imaginar, ou então a pensar que para a próxima é melhor ser ele a escrever um filme, ou então não é preciso, olha para uma parede branca durante meia hora e imagina o resto.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Tenho que concluir que ver “O Fantasma “ de João Pedro Rodrigues foi um exercício de auto-controlo, um esforço para não me enervar, e um apelo à calma, visto a partir dos trinta e cinco minutos começar a suplicar para que o filme acabasse. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;“O Fantasma” está cheio de vazio, um vazio profundo que tenta ser intermediário de um abstracto, de um estado de espírito, mas que não transmite qualquer emoção, não surpreende, é cansativo, repetitivo, pouco original e chateia. Porque o vazio não diz nada, e o que vai fazer uma pessoa ao cinema para ver algo que não lhe diz nada e não percebe? Eu agora pergunto porque será que a maioria dos estudantes detesta matemática? Certamente não é por serem uns entendidos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Lamento ter que escrever isto, porque acredito que quem trabalhou neste filme deu o seu melhor, mas não é assim que se vai lá.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Assim termino citando &lt;em&gt;Bad Behavior &lt;/em&gt;num dos seus posts mais recentes:&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt; “&lt;/em&gt;&lt;em&gt;Não que o mercado seja estúpido ou ignorante: apenas acontece que ele encontra produtos melhores e mais baratos noutros países"&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;</content>
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    <author>
      <name>Pedro Emanuel Cabeleira</name>
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    <issued>2010-12-22T17:25:50</issued>
    <title>"As vinhas da ira" O povo de John Ford.</title>
    <published>2010-12-22T17:37:56Z</published>
    <updated>2010-12-22T17:37:56Z</updated>
    <content type="html">&lt;p&gt;O homem sofre para não mais sofrer. Está vento, muito vento, está tudo seco! O clima é agreste, a terra é agreste e o céu está estranho, tudo aparece contorcido de uma dor infinita, de um problema incessante.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div class="saportecontainer" style="text-align: center;"&gt;&lt;img style="border: 0px;" src="http://flattland.com/images/grapes_wrath_2.jpg" alt="" width="340" height="232" /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Numa pungente paisagem o povo sofre um choque, um choque que percorre a terra de grão a grão, vai fazer tremer o vizinho, vai abalar a vida. Fugimos àquilo que é nosso por que fomos obrigados. Somos proibidos de respirar o nosso ar. Nasce a ira, nasce a fúria, nasce a inveja, e tudo isto são filhos da necessidade, são os malignos filhos da fome!&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div class="saportecontainer" style="text-align: center;"&gt;&lt;img style="border: 0px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_I8ct85_fVBo/R6jc6O6JFLI/AAAAAAAAA2E/MDcpbBU1e24/s400/As+Vinhas+da+Ira.jpg" alt="" width="337" height="231" /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; Os rostos sujos proliferam, e o vento sopra, deixa tudo seco, os rostos, os corpos! O povo está tão ressequido, tão cheio de pobreza. Cria-se o vazio e ele mexe-se num vácuo, vai tocar na parede do interminável, tenta quebrar essa barreira, tenta sobreviver. Já não quer respirar melhor, só quer respirar. O povo sujo e forte só quer soprar mais uma vez e saber que aquele que ama sopra também ele mais uma vez. A paisagem arrepia-se porque olha para tão infelizes transeuntes, veraneantes do infortúnio e da maldição.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div class="saportecontainer" style="text-align: center;"&gt;&lt;img style="border: 0px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_bL3JcJRVKeo/TNHtyqTuDwI/AAAAAAAAIT8/MCZIGxPHq-g/s1600/the+grapes+of+wrath20.jpg" alt="" width="341" height="260" /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Mas não acabam, não! Seguem e são perseguidos, aquele odor da pobreza não os quer largar, o azar agarra-se aos sapatos estragados e sujos, e estes cidadãos do mundo são acompanhados pelos seus fantasmas colados à sua sombra. Cada lufada de ar fresco traz mil e um novos desafios, o homem tem que pagar para existir, tem que arranhar carne e osso para o coração bater. Esta acutilante navalhada que alguém chamou vida é intrínseca aos humanos d´ "As Vinhas da Ira".&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div class="saportecontainer" style="text-align: center;"&gt;&lt;img style="border: 0px;" src="http://www.doctormacro.com/Images/Fonda,%20Henry/Annex/Annex%20-%20Fonda,%20Henry%20(Grapes%20of%20Wrath,%20The)_03.jpg" alt="" width="339" height="238" /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;No entanto, há quem não se esqueça que somos um todo, que o nada faz parte do tudo mas o tudo não faz parte do nada. Só há uma alma, e essa alma é todos, é um hino à lembrança daqueles que não vão deixar de existir, aqueles chatos e irritantes que querem sobreviver! Sim! Esses, o povo! Ainda existem, existiram e existirão. São eles que amam a terra, que a apertam e se apaixonam por ela com tal veemência que não a esquecemos, a terra. É dela que nasce o alimento e é nela que enterramos os mortos, já o tinha dito Céline. Talvez em "As Vinhas da Ira" seja tudo muito cinzento, seja tudo muito genérico, mas talvez seja tudo muito verdade, e por isso, não o esquecemos.&lt;/p&gt;</content>
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    <author>
      <name>Pedro Emanuel Cabeleira</name>
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    <issued>2010-12-21T11:39:49</issued>
    <title>"Watchmen" Tecnologia e cinema</title>
    <published>2010-12-21T11:51:28Z</published>
    <updated>2010-12-21T11:53:40Z</updated>
    <content type="html">&lt;p&gt;Vivemos numa realidade alternativa representada por uma caricatura de um Nixon narigudo. Estamos nos anos 80 e os super-heróis, complexos na sua humanidade, são afastados por uma sociedade mal agradecida. Super-heróis frágeis que revelam insegurança, escondidos em máscaras, abandonados pela população, nostálgicos, procuram o ouro que luziu nos seus tempos áureos. Não passam de carne flácida escondida num disfarce citadino e o mais eficaz. O mundo deixa de precisar de super-heróis, está tão absorvido pela sua ignorância e maldade que esquece que mais tarde ou mais cedo vai acabar por explodir. Seres incríveis que tentaram um mundo mais respirável. Ostracizados pela sociedade, ultrajados pela sua existência, e assim surgem Watchmen, seres humanos com capacidades sobre-humanas, tornados mitos esquecidos. A sociedade esqueceu-os, mas eles não esqueceram a sociedade. Num último fôlego, este bando de super-heróis irá regressar à prática que a ele é subjacente.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div class="saportecontainer" style="text-align: center;"&gt;&lt;img style="border: 0px;" src="http://images.allmoviephoto.com/2009_Watchmen/2009_watchmen_020.jpg" alt="" width="453" height="168" /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Duas vidas valem mais que uma? Terá um indivíduo, o mais inteligente de todo o mundo, a capacidade de decidir pelo resto da humanidade?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div class="saportecontainer" style="text-align: center;"&gt;&lt;img style="border: 0px;" src="http://www.cinemaisdope.com/news/films/watchmen/watchmen_2009_1a.jpg" alt="" width="455" height="169" /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Watchmen usa uma comunicação moderna, trata-se de um método amplificador de sensações. Utilizam-se artifícios que simplesmente caminham para uma verosimilhança ampliada intrínseca a um sucesso em transmitir um plano. Absolutamente necessário esta ostentação de recursos digitais, que emolduram Watchmen em arte. O espectador dedica-se à aprazível descoberta visual, à alteração de velocidades do movimento. As maravilhas tecnológicas são úteis quando utilizadas de modo correcto e perspicaz, incrementam o fascínio do espectador por aquilo que lhe passa perante os olhos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div class="saportecontainer" style="text-align: center;"&gt;&lt;img style="border: 0px;" src="http://www.blogcdn.com/blog.moviefone.com/media/2008/02/watchmen.jpg" alt="" width="455" height="158" /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Zack Snyder de certo modo exagera em 300 mas acerta em Watchmen. Consegue uma película extensamente visual que funciona como uma elegia à condição humana. Sabemos pois que ninguém nos guarda, teremos nós próprios de salvaguardar a nossa existência, caso a não esquecer.&lt;/p&gt;</content>
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    <id>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:estupidomaestro:7139</id>
    <author>
      <name>Pedro Emanuel Cabeleira</name>
    </author>
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    <issued>2010-12-18T17:58:57</issued>
    <title>"O Vigilante" Coppola e a perseguição.</title>
    <published>2010-12-18T18:13:04Z</published>
    <updated>2010-12-18T18:13:04Z</updated>
    <category term="o vigilante"/>
    <content type="html">&lt;p&gt;Desde que o ser humano aprendeu a articular tons sonoros criou uma das mais perigosas armas. A fala, aquele vocábulo que persegue o anterior numa organizada e fatal comemoração da inteligência humana. Neste ávido terreno precursor de intrigas surge o mais puro dos cinismos. A infracção dos códigos íntimos, a intromissão no momento entre dois interlocutores faz o ser humano quebrar aquilo que até então se chamaria privacidade.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div class="saportecontainer" style="text-align: center;"&gt;&lt;img style="border: 0px;" src="http://filmgrab.files.wordpress.com/2010/08/22-whisper.png" alt="" width="437" height="241" /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Para quebrar a privacidade encontra-se um solitário homem, um eremita que abandonou o seu árido deserto e se movimenta para uma tempestuosa cidade, rodeado de palavras e intrigas. Procurando fazer o que melhor sabe, procurando seguir escrupulosamente a sóbria honestidade de um trabalhador competente, vê-se confrontado com um desconcertante sentimento de culpa. Envergando uma gabardine que esconde pele e entranhas que assentam desconfortavelmente a Harry Caul. O eficaz vigilante, o homem que ouve o que os outros irão ouvir, o ser que interfere na vocalidade dos restantes. Ele é o homem que escuta.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div class="saportecontainer" style="text-align: center;"&gt;&lt;img style="border: 0px;" src="http://filmgrab.files.wordpress.com/2010/08/11-warehouse.png" alt="" width="437" height="230" /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Numa dança desconcertante, num movimento cinematográfico intenso, Coppola encarrega-se de fornecer uma intriga sufocante e digna dos mais fortes elogios. Usando o incansável fundo de ventanias e terríveis tempestades, tudo condições climatéricas de uma conversa. A paranóia surge tão bem representada que a aspiramos pelo nariz, os nossos ouvidos dançam abraçados à nossa mente, ao som de um dedilhar fenomenal numas ágeis teclas de piano. O som, esse que sempre andou de mãos dadas com a intriga, que enaltece o silêncio quando desaparece, e que esfaqueia o espectador quando se torna agudo como a imagem.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div class="saportecontainer" style="text-align: center;"&gt;&lt;img style="border: 0px;" src="http://filmgrab.files.wordpress.com/2010/08/45-listening.png" alt="" width="436" height="235" /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Desde o inicio desta maravilhosa película quando vemos um homem casual sentado num banco de jardim, sentimo-nos impelidos a persegui-lo. Saberemos nós que ele também nos persegue, persegue-nos com a sua história que nos supera. Cada vez mais intoxicados por uma teia de acontecimentos que não mais cessam. Uma conjuntura tremenda que irá despoletar um final cada vez mais ardente, cada vez mais inebriante. Cada passo que damos, aproxima-nos cada vez mais da ofuscante fogueira, onde tórridas labaredas de som e imagem se aglutinam num furacão inexaurível.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div class="saportecontainer" style="text-align: center;"&gt;&lt;img style="border: 0px;" src="http://filmgrab.files.wordpress.com/2010/08/49-bloody-hand.png" alt="" width="439" height="229" /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Surpresa atrás de surpresa, fantástica realização, planos que nos aproximam e afastam do personagem, tal como ele se aproxima e afasta de si próprio, quase como sentir o seu sangue, frio ou quente, tal como sentimos o nosso. Aquecemos e arrefecemos de tal modo que este volátil contraste se transforma num excepcional exercício de paranóia, obsessão e culpa vomitada por toda o lado. Culpa do inocente levado a executar o meio, o meio que ele é excepcional a executar.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div class="saportecontainer" style="text-align: center;"&gt;&lt;img style="border: 0px;" src="http://filmgrab.files.wordpress.com/2010/08/65-sax.png" alt="" width="443" height="221" /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Lubitsch terá dito: "Deixe a audiência somar dois mais dois. Adorá-lo-ão para sempre." E enquanto acompanhamos este singular protagonista a andar em bicos dos pés sobre a sensação de culpa, acabaremos por deliciosamente somar dois mais dois, saborear com satisfação a inteligência a que nos propomos. E ao fim de termos temido e esperado ansiosamente, sentimo-nos tocados por um calmo toque de génio. Coppola neste filme é esse génio.&lt;/p&gt;</content>
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    <author>
      <name>Pedro Emanuel Cabeleira</name>
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    <issued>2010-12-13T10:00:12</issued>
    <title>"Em Bruges". Fuckin Melancomédia</title>
    <published>2010-12-13T10:15:59Z</published>
    <updated>2010-12-13T10:15:59Z</updated>
    <content type="html">&lt;p&gt;“Em Bruges” há melancolia no anódino transeunte, no turista enganado.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div class="saportecontainer" style="text-align: center;"&gt;&lt;img style="border: 0px;" src="http://viewfromacouch.files.wordpress.com/2010/05/in-bruges-harry.jpg" alt="" width="448" height="177" /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Sobre um belíssimo toque de piano, uma paisagem cinzenta que transborda misticismo, um homem atravessa o seu período mais crítico de depuração.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div class="saportecontainer" style="text-align: center;"&gt;&lt;img style="border: 0px;" src="http://viewfromacouch.files.wordpress.com/2010/05/in-bruges-title-card.jpg" alt="" width="445" height="164" /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Uma cidade medieval, um abandono constante de alma, uma tentativa de se perceber a ele próprio, Em Bruges há um misto tão forte de alegria e tristeza, há aquela paradoxal conjuntura de humor negro e tristeza sem qualquer humor.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div class="saportecontainer" style="text-align: center;"&gt;&lt;img style="border: 0px;" src="http://filmjournal.net/mjocallaghan/files/2009/01/in-bruges.jpg" alt="" width="438" height="181" /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;“Em Bruges” é das mais belas elegias ao acto de rendição de um homem, de um assassino. As lágrimas ferem incessantemente o espírito, e em vez de libertarem, prendem, encerram o espectador na agonia, tornam o movimento sentimental fortíssimo, talvez pelo seu ritmo não tão frenético. Imagens inesquecíveis, líricas, pura poesia que transborda de planos e acordes musicais que emanam magia, de emoções organicamente humanas. Tal como num registo fatalista, existe uma predestinação neste filme, Bruges bem pode ser o fim de todos, como pode ser o começo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div class="saportecontainer" style="text-align: center;"&gt;&lt;img style="border: 0px;" src="http://livingincinema.com/wp-content/uploads/2008/02/in-bruges-001-450.jpg" alt="" width="437" height="184" /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Bruges poderá ser a cidade que fecha quem lá passa. “Em Bruges” é tão cruel o acto de sentirmos os nossos sorrisos fúteis, de haver comédia em situações tão sóbrias de si. O que se passa é que assistimos a uma brincadeira séria inesperada, gritante e irrespirável. Este cocktail vibrante torna-se tão delicioso e saudável. E quando somos totalmente atingidos pelo voraz estalo que este filme nos dá, iremos repelir qualquer felicidade mordaz que nos ocorreu por momentos cómicos tão dignos de referência.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div class="saportecontainer" style="text-align: center;"&gt;&lt;img style="border: 0px;" src="http://viewfromacouch.files.wordpress.com/2010/05/in-bruges-harrys-here.jpg" alt="" width="447" height="177" /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Penso que "Em Bruges" não seja um filme de chorar a rir, mas sim um filme de chorar apenas pela sua sublime existência, por ser uma matéria-prima tão concisa de emocionalidade.&lt;/p&gt;</content>
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    <author>
      <name>Pedro Emanuel Cabeleira</name>
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    <issued>2010-11-20T14:54:47</issued>
    <title>"O Estranho Caso de Benjamin Button" Peculiar Beleza.</title>
    <published>2010-11-20T15:19:46Z</published>
    <updated>2010-11-20T15:22:58Z</updated>
    <category term="o estranho caso de benjamin button"/>
    <content type="html">&lt;p&gt;Vivendo de trás para a frente, rejuvenescendo. Nascer velho e morrer novo. Benjamin foi um homem que viu a vida com outros olhos. Optimista em relação a tudo revela ataraxia na sua simplicidade. Uma postura paradigma em como atravessar os anos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div class="saportecontainer" style="text-align: center;"&gt;
&lt;div class="saportecontainer" style="text-align: center;"&gt;
&lt;div class="saportecontainer" style="text-align: center;"&gt;&lt;img style="border: 0px;" src="http://img151.imageshack.us/img151/9632/button1gl2.jpg" alt="" width="403" height="189" /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; Destinado a ver morrer quem mais ama, Benjamin não se importa, segue em frente sem nunca arranjar querelas com ninguém. As pessoas passam por ele, entram na sua vida, marcam-no, e quando pensamos que nos iremos centrar em Benjamin Button, enganamo-nos, Benjamin Button é as pessoas que o envolvem.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div class="saportecontainer" style="text-align: center;"&gt;&lt;img style="border: 0px;" src="http://www.culturevulture.net/Movies/images/curiouscase_12-08.jpg" alt="" width="390" height="198" /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Caso peculiar, visto quem deveria merecer mais atenção era Benjamin, não quem o rodeia. Assim o filme é bem sucedido, porque é dedicado ao ser humano, não tenta desenvolver muito uma história incomum, mas sim aproveitá-la para analisar o ser. Uma epopeia na vida deste homem envolvido por pessoas normais e todas elas revelando algo muito próprio. E assim este homem irá dançar ao longo dos anos com a linha da anormalidade, enganando tudo e todos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div class="saportecontainer" style="text-align: center;"&gt;&lt;img style="border: 0px;" src="http://images.allmoviephoto.com/2008_The_Curious_Case_of_Benjamin_Button/2008_the_curious_case_of_benjamin_button_003.jpg" alt="" width="390" height="210" /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A condescendência em como a obra é-nos contada é inerente ao próprio personagem, o saber aproveitar a montagem, a fotografia e a banda sonora para embelezar o belo, marca esta realização. O clássico imprime esta obra, aproveitando uma estética formal e tornando assim o seu percurso visual muito estável. Trata-se de uma película que avança com calma, não tem pressas, sabe aproveitar cada momento e assim emociona. Não vemos ódio neste ecrã, e isso acabará por surpreender, questionamos como é possível não haver ódio nem revolta, e por isso O Estranho Caso de Benjamin Button emociona tanto.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div class="saportecontainer" style="text-align: center;"&gt;&lt;img style="border: 0px;" src="http://www.zuguide.com/blog/wp-content/uploads/2008/07/bb.jpg" alt="" width="401" height="191" /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; Podemos acreditar naquilo em que vivemos, podemos confiar no que nos rodeia, e ficamos intimamente ligados a uma bela paisagem urbana ou paradisíaca. Sentimos aquilo que até então não tínhamos sentido, respiramos novamente com outra densidade, tomamos mais atenção ao rosto que está defronte de nós, e percebemos que deve-se encarar sempre o rosto defronte de nós, afagá-lo e compreendê-lo e só nos resta então escutar.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;</content>
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    <id>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:estupidomaestro:6381</id>
    <author>
      <name>Pedro Emanuel Cabeleira</name>
    </author>
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    <issued>2010-11-06T22:44:21</issued>
    <title>"A Caixa" Lisboa entalada numa escadaria. </title>
    <published>2010-11-06T22:52:37Z</published>
    <updated>2010-11-06T22:52:37Z</updated>
    <content type="html">&lt;p&gt;O dia surge como se noite fosse. Um cidadão diverte-se a dançar com a sua própria embriaguez e quando amanhece, surge o derradeiro momento de adormecer.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O mundo desperta, e colado à densidade momentânea e desesperada, corre lado a lado com a azáfama citadina, a imparável movimentação rotineira que transborda metaforicamente no meio de uma escadaria. E quando pessoas atrás de pessoas se dissipam no nada, os outros, os trabalhadores da inércia, iniciam também eles a sua actividade. Chega a hora de urinar à porta, escarrar lamentos, arrotar impropérios, e encher um pobre estômago com o álcool matinal.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Numa rua, fechada sobre si mesma, ocupantes encarcerados numa extensa vitalidade de insipientes vivências, respiram tão ofegantemente que asfixiam o vizinho do lado. O sonolento hábito de se levantarem e continuarem acordados ao lado do próximo, de propagar ideias e teorias sobre nada, de se refastelarem com o agradável movimento nulo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div class="saportecontainer" style="text-align: center;"&gt;&lt;img style="border: 0px;" src="http://www.snpcultura.org/fotografias/id_a_caixa_manoel_oliveira.jpg" alt="" width="437" height="276" /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Regozijando aquele que mais ganha menos fazendo, vão tentando aos poucos e poucos, apanhar no ar réstias de truques. Damos por nós confinados numa escadaria que desce até à taberna e sobe até à casa da velha. Onde vai dar, conseguimo-lo descobrir somente por pedaços de momento que indicam que por baixo de nós há o resto de uma metrópole e por cima uma monumental igreja.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;E lá vai passando aquele e aqueloutro enquanto estáticos na rua se mantêm os mesmos, andantes vocábulos de lamentos. Refúgio de cinismo e de valentes hipocrisias até à explosão da mais orgânica honestidade, rostos que caminham para o cadáver, dentes que comem as bochechas que os rodeiam, línguas que ofendem como tão depressa lisonjeiam o amigo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div class="saportecontainer" style="text-align: center;"&gt;&lt;img style="border: 0 none;" src="http://i4.photobucket.com/albums/y107/andradesamuel/imagem02-2.jpg" alt="" width="444" height="259" /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; E no meio da acutilante navalhada da vida, essa mesma, a pobreza, os homens lutam por intrigas fáceis, as mulheres choram e todos procuram o mesmo, aquilo que dá ritmo à vida e a sorrisos fáceis, o veículo da felicidade, o tão bem amado e inalcançável dinheiro. No meio está um cego e uma caixa, causadores de berros dilacerantes, de violento sangue, de alegres sorrisos e de espampanantes partilhas. À volta temos dançantes bailarinas, dotados guitarristas, cantoras vendedoras, briosas prostitutas, futuros benfeitores, zelosos guardiões e inexoráveis trabalhadoras. Tudo maravilhosas humanidades numa fábula escondida nas sombras de Lisboa.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;</content>
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    <id>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:estupidomaestro:5916</id>
    <author>
      <name>Pedro Emanuel Cabeleira</name>
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    <issued>2010-11-04T22:00:24</issued>
    <title>5 filmes que definem a sétima arte.</title>
    <published>2010-11-04T22:14:08Z</published>
    <updated>2010-11-04T22:53:28Z</updated>
    <content type="html">&lt;p&gt;O blog &lt;strong&gt;&lt;a href="http://cineroad.blogspot.com/"&gt;CINEROAD&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt; lançou o desafio de escolher cinco filmes que definam a sétima arte. Entre os vários géneros, escolhi biopic, drama, comédia e romance e os filmes que na minha opinião definem cada género, sendo eles respectivamente, “Haverá Sangue”, “Ladrões de Bicicletas”, “Pulp Fiction” e “Morrer em Las Vegas”. Também foi pedido escolher o melhor filme dos últimos três anos, “Em Bruges foi a minha escolha.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Irei justificar agora as minhas escolhas, por muito controversas que possam ser, espero que encontrem um sentido.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;“Haverá Sangue”, o filme que define biopic:&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;“&lt;em&gt;I have a competition in me. I want no one else to succeed. I hate most people.”&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Palavras de Daniel Plainview, homem frio e duro, homem genialmente retratado na obra-prima de P.T. Anderson.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Biografia é uma descrição da vida de alguém. Esse alguém é Daniel Plainview.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Numa inóspita mina, um homem só, bate pedra com uma picareta. Sozinho, tenta subir, mas cai. Sozinho, com uma perna partida, arrasta-se pelo deserto. Há dois pormenores nesta cena incrível que irão definir a vida deste homem. Plainview nasceu para estar sozinho, Plainview não andará mais sem coxear.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Haverá representação mais fidedigna de algum personagem, mesmo sendo este ficcional? Haverá filme que envolva tão brilhantemente o espectador no ambiente que envolve o personagem? “Haverá Sangue” é um filme “solo”, Plainview é tão extraordinário que é dos personagens mais verdadeiros na história do cinema.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Quando vejo Daniel coberto de petróleo dos pés à cabeça, olho para as minhas mãos e também elas ficaram manchadas pela mesma substância. Jamais houve tratamento tão fiel como há em “Haverá Sangue”. Daniel Plainview é real, é tão real que arrepia o meu corpo de tal maneira, que fico despido de pele.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;P.T. Anderson baseou-se vagamente em “Oil!” de Upton Sinclair, que por sua vez se baseou vagamente na vida de Edward L. Doheny. Plaiview será a representação de Donehy? Não o sei dizer, mas sei que Plainview é Plainview, e ele é tão real como o leito em que adormeço todos os&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;dias. Com Plainview cheirei o petróleo, quantos “biopics” conseguem fazer isto?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div class="saportecontainer" style="text-align: center;"&gt;&lt;img style="border: 0px;" src="http://passionforcinema.com/wp-content/uploads/there_will_be_blood_poster2.jpg" alt="" width="351" height="585" /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O que torna “Haverá Sangue” diferente dos “biopics”?&lt;br /&gt;O personagem principal é fictício.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;“Haverá Sangue” é um “biopic”?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Não.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;“Haverá Sangue” define o género?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Melhor que qualquer outro.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;“Morrer em Las Vegas”, o filme que define romance:&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ele é um alcoólico decadente, ela é uma bela prostituta.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Este é o mais belo conto sobre dois infelizes, esta é a mais bela história de amor.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ele só queria beber até à morte, ela não encontrava ninguém que a amasse. E depois apaixonam-se.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Não lhe interessa se ela é uma prostituta e a ela não lhe interessa se ele é um alcoólico. Ou interessa-lhes? Quem se ama interessa-se por estas coisas, só que eles simplesmente decidiram ignorar. O que decidiram fazer foi simplesmente amar-se um ao outro tal e qual como são.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Estas duas pessoas juntam-se porque sabem que assim irão cegar a solidão. Ao vermos “Morrer em Las Vegas” saboreamos cada pedaço de sedução em busca de reconforto.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Esta é o filme que define o romance, tem a história de amor perfeita.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ben é um bêbedo, Sera é uma puta. Ben é das personagens mais carinhosas que merecem ser amadas. Sera é linda, tem um corpo voluptuoso que fascina, também ela merece ser amada mais que ninguém. E eles amam-se, estranhamente, mais que ninguém. Nós queremos que eles nos amem incondicionalmente e queremos também amá-los incondicionalmente&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Será absurdo dizer que um filme em que amamos as personagens desta maneira defina o romance?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div class="saportecontainer" style="text-align: center;"&gt;&lt;img style="border: 0 none;" src="http://www.videoclub.com.es/images/peliculas/leaving_las_vegas.jpg" alt="" /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;“Ladrões de Bicicletas”, filme que define o drama:&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Penso que esta escolha será a mais óbvia, simplesmente escolhi “Ladrões de Bicicletas” como o filme que define drama porque nunca tinha sentido tal angústia ao ver um filme.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Senti um nó de tal modo apertado na minha garganta que só o desapertei livrando-me de duras lágrimas, isto porque De Sica trata tão vorazmente as entranhas da desgraça em “Ladrões de Bicicletas”.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Foi de tal modo constrangedor e emocionante a experiência que seria-me difícil não considerar “Ladrões de Bicicleta como o marco dos filmes dramáticos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;
&lt;div class="saportecontainer" style="text-align: center;"&gt;&lt;img style="border: 0px;" src="http://www.gennarocarotenuto.it/public/ladridibiciclette.jpg" alt="" width="327" height="501" /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;“Pulp Fiction”, filme que define a comédia:&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt; &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;“Did you notice a sign out in front of my house that said Dead Nigger Storage?”&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Concordo quando dizem que “Pulp Fiction” não tem um género que o defina. No entanto “Pulp Fiction” pode definir um género.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Seria redutor dizer que “Pulp Fiction” é uma comédia. No entanto há melhor forma de fazer comédia que “Pulp Fiction”?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Citei um dos muitos diálogos deste filme. Na minha opinião todos eles brilhantes, obra tal sublime que categorizá-la só num género seria ridículo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Não é apenas pelos diálogos, mas também pela sua mímica, pelas suas histórias, pelos seus chocantes twists e pelas cativantes performances. Cada momento é divinal, e é divinal ao ponto de sentirmos uma livre diversão. “Pulp Fiction” é de tal modo aberto que não nos constrange a desfrutar a gargalhada pelos seus momentos geniais.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Não acredito que seja um filme dedicado à comédia, mas é obviamente um arquétipo para qualquer filme cómico. E depois tem um aspecto interessantíssimo, é um filme com estilo, o espectador ao vê-lo sente-se com estilo, sente-se confortável e enaltecido.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div class="saportecontainer" style="text-align: center;"&gt;&lt;img style="border: 0px;" src="http://4.bp.blogspot.com/__IHIG4mM_qk/S5fGs-p3QYI/AAAAAAAAAVw/WYlD8h4j5FA/s400/pulp-fiction-poster1259732203.jpg" alt="" width="306" height="429" /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;“It´s not all about style, but it´s a lot about style.”&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;“Em Bruges”, melhor filme dos últimos três anos:&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Esta é a história de um assassino que num estádio de catarse, tem das mais belas conversas com a morte.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; Estava na dúvida entre “Sacanas Sem Lei” e “Em Bruges”. Optei pelo segundo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;“Em Bruges” é uma trágica fábula sobre um homem que mata e quer deixar de matar, este homem desespera. Isto foi preponderante na minha escolha, visto adorar a premissa. Adorar este estudo ao desespero. Adorar o clima depressivo estabelecido “Em Bruges”.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;“Em Bruges” é uma subtil comédia, um trágico melodrama, um belíssimo toque de piano, um filme extraordinário.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O que admiro mais “Em Bruges” é que após tanta lugubridade surge um ténue feixe de luz, que apesar de tudo persiste em sobreviver.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Senti-me fascinado por este filme simples, que resulta de uma percepção notável da modernidade, ligeiros toques de divertimento causado pelo absurdo inesperado, e sempre sóbrio da drástica verdade. É desta confusão que resulta a grandiosidade de “Em Bruges”.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Brevemente irei publicar o comentário sobre “Em Bruges”.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div class="saportecontainer" style="text-align: center;"&gt;&lt;img style="border: 0px;" src="http://moviestudio.files.wordpress.com/2008/11/2007-12-07-inbruges_poster.jpg" alt="" width="341" height="566" /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Espero ter sido suficientemente claro, caso não tenha sido o caso, peço que me coloquem as vossas dúvidas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;</content>
  </entry>
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    <id>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:estupidomaestro:5761</id>
    <author>
      <name>Pedro Emanuel Cabeleira</name>
    </author>
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    <issued>2010-10-16T13:10:35</issued>
    <title>"Barry Lyndon". Mais um fascinante exercicio cinematográfico de um mestre.</title>
    <published>2010-10-16T13:56:41Z</published>
    <updated>2010-10-17T00:20:51Z</updated>
    <content type="html">&lt;p&gt;Viveremos todos. Independentemente da maneira como vivemos, todos acabaremos por ser iguais. Barry Lyndon marca a evolução de um homem na sociedade, uma fase ascendente de uma "criatura" até se tornar um ser honrado.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div class="saportecontainer" style="text-align: center;"&gt;&lt;img style="border: 0 none;" src="http://2.bp.blogspot.com/_d9rtV7t2sho/Redu8GhAJMI/AAAAAAAAAQA/QlukL06m8mY/s400/BarryLyndon1.JPG" alt="" /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Com Kubrick seremos sempre remetidos a uma viagem que terá como base um estudo profundamente antropológico. O ser humano encontra-se no centro da tela, e Kubrick como qualquer artista reproduz a sua arte. As heranças de Kubrick são assaz artísticas, conjugadas com a sua inteligência e minúcia, o seu cinema vem de toda a arte e não especificamente de uma só arte. Ao iniciar Barry Lyndon com “Sarabande” de Handel, Kubrick ensina o espectador sobre a força do filme. Uma imagem inerente a uma melodia, conseguirá aquilo a que chamo a derradeira emoção cinematográfica, mais precisamente a derradeira emoção artística, aquela que conseguirá transmitir ao receptor, seja qual for a forma de comunicação artística, a emoção até então pouco ou nunca antes sentida. Uma emoção cujo nome não lhe encontro, e não necessariamente indescritível ou mesmo inexplicável.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div class="saportecontainer" style="text-align: center;"&gt;&lt;img style="border: 0px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_zgRVns69m3Y/TB2rtV1bcwI/AAAAAAAABKg/WYBMyYvuM78/s1600/BarryLyndon2.jpg" alt="" width="394" height="268" /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; O cinema tornar-se-á música, tornar-se-á pintura, tornar-se-á drama, literatura, tornar-se-á arte, vida. Em dois andamentos testemunhamos uma história de um homem. Pequenos acidentes, cuidadosamente narrados, irão conduzir Redmond Barry a Barry Lyndon. A austeridade é revelada em cada plano de Kubrick, um plano terá que ser então densamente ruminado e não espontaneamente exercido. A essência paisagística surge intrínseca à belíssima fotografia impressionista, será a luz que definirá a cor das formas, a sua linearidade natural será exposta da maneira mais fascinante, relembrando assim quadros de Degas ou Monet.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div class="saportecontainer" style="text-align: center;"&gt;&lt;img style="border: 0px;" src="http://www.amovieaweek.com/images/clip_image004_0002.jpg" alt="" width="407" height="277" /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; Claramente extraordinária esta percepção de Kubrick quanto à filmagem, criando momentos que deixam o espectador céptico pelo esplendor que o invade. Barry Lyndon transmite assim a harmoniosa conjugação, prova que o cinema é uma arte, que usada não de um modo desmesurado, mas sim correcto, poderá elevar o sentimento humano, poderá guiar ao esplendor.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div class="saportecontainer" style="text-align: center;"&gt;&lt;img style="border: 0px;" src="http://spacereptilesareyourfriend.com/images/2barry-lyndon-1975-15-g.jpg" alt="" width="404" height="242" /&gt;&lt;/div&gt;</content>
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    <id>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:estupidomaestro:5616</id>
    <author>
      <name>Pedro Emanuel Cabeleira</name>
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    <issued>2010-10-10T19:05:45</issued>
    <title>"O Império Contra-Ataca". Até ao infinito e mais além.</title>
    <published>2010-10-10T19:07:44Z</published>
    <updated>2010-10-10T19:07:44Z</updated>
    <category term="o império contra-ataca"/>
    <content type="html">&lt;p&gt;É indubitável que a saga Star Wars é um marco cinematográfico. Agora o porquê desta afirmação? Por vezes surgem filmes que têm uma capacidade extraordinária de nos fazer sonhar, de nos conseguir transpor para outros mundos. Há filmes que nos conseguem encher de fantasia, que são meramente utópicos, mas a utopia com que somos assaltados é coerente, é mágica, faz-nos querer pertencer a esse novo ambiente.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div class="saportecontainer" style="text-align: center;"&gt;&lt;img style="border: 0px;" src="http://www.moviediver.com/images/gallery/39901/39901-00023.jpg" alt="" width="427" height="175" /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Por algum motivo Star Wars se torna num dos épicos mais badalados da história do cinema, é a sua imponência, é a sua originalidade, são os seus métodos inovadores, e como nos sentimos infantis perante tal acontecimento. É nisto que Star Wars é bem sucedido, na maneira como cria personagens carismáticas, épicas, como avança com uma postura preponderante na nossa imaginação. George Lucas criou uma saga épica, uma epopeia inesquecível e o filme que eu visualizei (e não foi a primeira vez que o vi, mas sim a primeira vez que me disponibilizei a escrever sobre ele) trata-se de um dos episódios mais mediáticos, talvez seja aquele que nos deixa mais na expectativa.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div class="saportecontainer" style="text-align: center;"&gt;&lt;img style="border: 0px;" src="http://www.moviediver.com/images/gallery/39901/39901-00000.jpg" alt="" width="418" height="171" /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; O seu final é arrebatador, frenético e intenso. O filme que nós desejamos que nunca acabe, que tem os seus grandes momentos, momentos que nos deixaram boquiabertos a primeira vez que os testemunhámos, o filme que mais nos surpreende. É interessante descobrir o mestre Yoda e todo o labirinto que este filme representa, aquilo que nos propõe a conhecer de novo, a desdobrar a teia. É um filme com cenas únicas, grandiosas, emotivas, excepcionais.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div class="saportecontainer" style="text-align: center;"&gt;
&lt;div class="saportecontainer" style="text-align: center;"&gt;
&lt;div class="saportecontainer" style="text-align: center;"&gt;&lt;img style="border: 0px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_DNQe0gI9SZ4/TIGajHNAmNI/AAAAAAAAAdc/eE05fFCeqD4/s1600/empire1.JPG" alt="" width="423" height="171" /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; E tal como a restante saga teremos que distinguir Star Wars de um filme sensacionalista. Claro que são filmes que sobrevivem devido ao seu sensacionalismo, como são sublimes, mas no entanto não se pode aglutinar esse género a este épico. O que se passa é que Star Wars vive de um sensacionalismo mais requintado, mais conservado, mais harmonioso. São filmes que não se baseiam somente no espectáculo, têm uma base sólida para se assentarem.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div class="saportecontainer" style="text-align: center;"&gt;&lt;img style="border: 0px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_ySQc3eBdHfk/SgBuSbQTIhI/AAAAAAAACms/EDPhGpfb-DM/s400/firing-sterling-stormtrooper-han-solo-hd-still.jpg" alt="" width="428" height="195" /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A acção e os efeitos especiais, apesar de serem primorosos não bastam para fazerem deste filme uma obra-prima da ficção científica. Star Wars é muito mais, é um momento inesquecível. São filmes que nos deixam agarrados onde nós estamos, que nos fazem desejar por mais. São obras muito bem elaboradas e Episode V não é diferente, apesar de parecer talvez o filme que eu menos tenha amado, não se traduz que o considere digno de menos excelência.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;</content>
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    <id>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:estupidomaestro:5252</id>
    <author>
      <name>Pedro Emanuel Cabeleira</name>
    </author>
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    <issued>2010-10-09T15:02:47</issued>
    <title>"Casino". A montanha russa cinematográfica.</title>
    <published>2010-10-09T14:28:48Z</published>
    <updated>2010-10-09T14:28:48Z</updated>
    <category term="casino"/>
    <content type="html">&lt;p&gt;Quando eu vejo "Casino" sei perfeitamente quem o realizou. Aquele toque excêntrico, ousado e alucinante só pode ser de uma pessoa. Quando vejo aquele equilíbrio tão orgânico entre travellings longos e cortes rápidos compreendo que por trás das câmaras há um senhor chamado Martin Scorsese. Ao sermos encharcados com vitalidade cinematográfica, com uma câmara volátil que persegue sem piedade o fio do novelo, esse novelo que, tão poderosamente, poder-se-á chamar história. Scorsese desenrola o novelo como um ancião conta uma história. Cada bocadinho de fio é desenrolado da maneira mais deliciosa até serem só linhas espalhadas anonimamente e ao acaso para chegar ao fim, ao pólo oposto do novelo, que se encontra bem escondido num núcleo que é quase onde tudo começa. Um filme de Scorsese é como uma montanha russa que até então desconhecemos. Esperamos por todo o tipo de emoções empolgantes, de constantes doses de speed completamente extraordinárias que nos são despejadas pelo nariz adentro, aquele looping que ninguém conta, aquele momento calmo seguido de uma virtuosa erupção de adrenalina.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div class="saportecontainer" style="text-align: center;"&gt;&lt;img style="border: 0px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_pD2gICH-epc/SOYsU8eescI/AAAAAAAAFAI/8hLhQGxLz1g/s400/casino+1995.jpg" alt="" width="423" height="186" /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Com crime voltamos a relembrar Goodfellas, aqueles senhores que relatam, na primeira pessoa, todas as infelicidades que viveram. Sim, relatam-nas tão doce e animadamente que quase se esquecem como tudo termina. Mas nós sabemos como termina! Oh Sim! Nós sabemo-lo tão bem quanto eles, e no entanto amarramo-nos à cadeira como aqueles homens, aqueles pequenos e grandes sacanas se agarram à vocalidade pastora de infortúnios.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;a href="http://www.dvdbeaver.com/film/DVDCompare11/a%20Casino%20Martin%20Scorsese%20dvd%20review/4-10th%20casino%20Martin%20Scorsese%20dvd%20review.jpg"&gt;
&lt;div class="saportecontainer" style="text-align: center;"&gt;&lt;img style="border: 0px;" src="http://www.dvdbeaver.com/film/DVDCompare11/a%20Casino%20Martin%20Scorsese%20dvd%20review/4-10th%20casino%20Martin%20Scorsese%20dvd%20review.jpg" alt="" width="426" height="170" /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Seguindo com perplexidade cada plano mais estranho que o anterior, cada movimento repentino, cada balada que toca de fundo. Aí está uma percepção interessante, quem se tem que fazer à vida não é o campo, mas o contra campo para desenvolver o campo. Quando o campo não está suficientemente abastecido de empolgantes momentos, mete-se a câmara a mexer, e assim, meus caros, andamos na montanha russa. Claro que não pode ser tudo a andar às voltas como naquela fabulosa montanha, há que descansar e acalmar e apreciar o que nos rodeia, principalmente aquilo que está perante nós quando estamos bem no alto. E depois pegando na atracção, ele metaforiza-a, ele coordena, ele repensa, e constrói uma conjuntura que pasma. Isto é inteligência a filmar, isto é a busca do movimento, essa coisa que se chama movimento, esse pequeno trabalho tão reivindicativo da arte cinematográfica. E por trás de toda a cénica um senhor coordena-a, respira-a, e lisonjeia o espectador. Talvez seja com o movimento que temos de aprender, porque mesmo estar parado é um movimento, tal como o escuro é um movimento, tal como o silêncio, e há que respeitar esta cumplicidade entre cada aspecto cinematográfico, há que saborear o que está para vir e o que está a acontecer. Há que aprender com quem ensina inconscientemente, porque Scorsese não cai em futilidades, aproveita cada momento.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_McI_KJIXOq0/R1BkbJKLPRI/AAAAAAAAA78/QVBcJtnCJwA/s1600-R/casino+Martin+Scorsese+dvd+review.jpg"&gt;
&lt;div class="saportecontainer" style="text-align: center;"&gt;&lt;img style="border: 0px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_McI_KJIXOq0/R1BkbJKLPRI/AAAAAAAAA78/QVBcJtnCJwA/s1600-R/casino+Martin+Scorsese+dvd+review.jpg" alt="" width="426" height="162" /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Casino está esculpido até ao mais ínfimo pormenor, laborado até à exaustão. Será que há problema pensar em esculpir tanto pormenor? Não me parece. O resultado será claramente brilhante. Casino como muitos filmes de mestres, de senhores que percebem de uma coisa que se chama Cinema, despe o seu desinteressante e andrajoso fato, e depois cobre-se com um manto caloroso digno do mais sublime rei.&lt;/p&gt;</content>
  </entry>
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    <id>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:estupidomaestro:4914</id>
    <author>
      <name>Pedro Emanuel Cabeleira</name>
    </author>
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    <issued>2010-10-03T00:18:18</issued>
    <title>"Casablanca". Era uma vez Hollywood e cinema!</title>
    <published>2010-10-02T23:51:09Z</published>
    <updated>2010-10-02T23:51:09Z</updated>
    <category term="casablanca"/>
    <content type="html">&lt;p&gt;Casablanca, cidade marroquina filmada num grande estúdio de Hollywood. Vivia-se então os tempos áureos de Hollywood, e apesar de se fazerem tramas demasiado dramatizadas, drama acrescido que provoca previsibilidade fácil, mas que no entanto não atenua na totalidade a grandeza de Casablanca. O que antigamente seriam filmes a lutarem pela grandeza de trama, pela inteligência na intriga, pela explosão (um pouco desnecessária) de sentimentos, transformou-se hoje, em remakes atrás de remakes, em sensacionalismo sem sabor e na maioria das vezes imaturo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div class="saportecontainer" style="text-align: center;"&gt;&lt;img style="border: 0 none;" src="http://3.bp.blogspot.com/_R8LkKSvcN4c/SWqoFtEUbcI/AAAAAAAALic/wnEf6gcDumw/s320/1+rote+casablanca.jpg" alt="" /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; E assim Casablanca surge como possivelmente um dos mais amados filmes feitos na idade de ouro de Hollywood. Um clássico eternizado por um excelentíssimo figurão, chamado Humphrey Bogart. Acusarei Bogart de ter um papel tremendamente preponderante nesta trama. Será provavelmente das melhores prestações de um artista da representação nestes tempos precedentes à actual modernidade. Bogart transmite tal calma, serenidade, eloquência que me faz sentir invejoso. Ciumento por assistir a personagem com manias tão sublimes. Apresentando-se despreocupado com o que o rodeia sempre na perfeição, Bogart consegue um papel frio e cauteloso.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div class="saportecontainer" style="text-align: center;"&gt;&lt;img style="border: 0px;" src="https://www.msu.edu/course/ams/280/casa6.jpg" alt="" width="325" height="222" /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; Depois teremos sempre aquele exemplar brilhantismo que emanava nos grandes planos das actrizes, neste caso, posso afirmar que em cada grande plano de Ingrid Bergman, ela literalmente luz. Aquela capacidade de fazer luzir a actriz poderá condensar a expressão de estrela. Avantajando o protagonismo acaba por revelar-se uma belíssima e clássica técnica, que caiu (penso eu) em desuso com as maravilhosas cores. No entanto Casablanca não será obviamente estrelas, impossível será olvidar aquele ritmo frenético, aquela trama imprevisível e cativante. Aqueles momentos que marcaram uma arte que hoje é demasiado espectáculo, chamada cinema.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div class="saportecontainer" style="text-align: center;"&gt;&lt;img style="border: 0px;" src="http://www.collider.com/uploads/imageGallery/Casablanca/casablanca_movie_image_ingrid_bergman__3_.jpg" alt="" width="329" height="248" /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O que se pode aprender com Casablanca, será claramente a força da estrutura, o poder de ter algo no papel com pés e cabeça, a capacidade monumental que tem a mente humana em criar, em desenvolver, e em transformar aquilo que está na mente em imagem, em situações, em realidade. A magia do cinema será muito provavelmente conseguir transformar o nosso pensamento em algo real, belo e uno. A imagem existe, uma vez existindo a imagem, só falta transportar aquilo que imaginámos para dentro dela, e depois, compreender, como os autores de Casablanca certamente dominavam, a importância do plano em cinema, o plano como o meio de transmitir, o plano que é o resultado e que será a percepção do espectador sobre o que vê, então cada plano funciona com o anterior, evitando futilidades.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div class="saportecontainer" style="text-align: center;"&gt;&lt;img style="border: 0px;" src="http://img.photobucket.com/albums/v299/likehot/casablanca.jpg" alt="" width="320" height="240" /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Casablanca foge desde o primeiro momento a um estatuto de efémero e é instantaneamente carimbado com a eternidade. No final, quando Rick diz "I believe this is the begining of a beautifull friendship", eu também acredito que grandiosa amizade despoletou neste solene final, uma amizade entre esta obra e a história do cinema.&lt;/p&gt;</content>
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    <id>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:estupidomaestro:4775</id>
    <author>
      <name>Pedro Emanuel Cabeleira</name>
    </author>
    <link rel="alternate" type="text/html" href="http://estupidomaestro.blogs.sapo.pt/4775.html"/>
    <issued>2010-09-27T09:03:10</issued>
    <title>"Ladrões de bicicletas". Neo-realismo: uma sociedade, um homem, uma criança, todos iguais, todos choram.</title>
    <published>2010-09-27T08:30:39Z</published>
    <updated>2010-09-27T08:30:39Z</updated>
    <category term="ladrões de bicicletas"/>
    <content type="html">&lt;p&gt;Um ladrão tem sempre por trás outro ladrão. Pode-se criticar um ladrão por o ser? Devemos nós apontar o dedo a um criminoso? Não acabamos todos por ser criminosos?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div class="saportecontainer" style="text-align: center;"&gt;&lt;img style="border: 0px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_2NjPtgSwzRU/SdUL2AIJdBI/AAAAAAAAAjQ/V7PmHR-hUh8/s400/015+Ladri+di+biciclette+1948+Vittorio+De+Sica.jpg" alt="" width="327" height="210" /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Uma sociedade apagada, as pessoas andam às escuras, a palpar a sua própria sobrevivência. A pobreza conduz ao desespero, o desespero conduz à tragédia. Todos queremos viver, e não aguentamos viver na miséria, lutamos para sair dela, a nossa vida não se pode basear apenas em lutar por mais um sopro. Viver não é sobreviver. E quando se sobrevive e não se vive, a necessidade aumenta, e então temos de compreender o porquê, temos que compreender que há forças que nos ultrapassam, forças interiores movidas pelo exterior. Procuramos não nos preocupar, viver sem problemas, procuramos o amor, procuramos a amizade, procuramos acima de tudo a felicidade e o bem-estar.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div class="saportecontainer" style="text-align: center;"&gt;&lt;img style="border: 0px;" src="http://www.cinema.beniculturali.it/images//ladri_di_biciclette.jpg" alt="" width="342" height="251" /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Será que a população em Ladri di biciclette é assim? Não me parece. De Sica faz um estudo a uma sociedade que prolifera criminosos. Mas podemos nós chamar-lhes criminosos, a estes pobres ladrões de bicicletas? O homem move-se pela necessidade, seja bom ou mau, aliás, não há bom ou mau, são todos iguais, são todos humanos. O jovem desprezível que rouba o nosso herói, será assim tão desprezível? O interessante é que ele acaba por ser tão herói como todos os outros personagens, incluindo o principal. Simplesmente procura alimentar a sua família, simplesmente procura cuidar de quem ama. Mas acaba por ser constrangido, porque tantos outros também o são, e debatem-se contra esse constrangimento.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div class="saportecontainer" style="text-align: center;"&gt;
&lt;div class="saportecontainer" style="text-align: center;"&gt;&lt;img style="border: 0px;" src="http://i577.photobucket.com/albums/ss218/Jedimoonshyne9/BicycleThievesLarge2.jpg" alt="" width="341" height="279" /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A sociedade de De Sica, a sociedade do neo-realismo italiano é uma sociedade presa no caos dos prédios degradados, nos bairros operários, na sopa dos pobres, e no seu sofrimento. É engraçado como Ladri di bicicletti tem mais de sessenta anos e mantém-se actual. Uma criança de mão dada com o pai, o rosto sujo por cair na lama, chora quando este lhe bate, e quando este para a salvar a humilha. Um pai, chefe de família, alto e magro, um rosto sofrido, um andar ansioso e inquieto, lágrimas que escorrem do rosto de este homem honesto e infeliz.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div class="saportecontainer" style="text-align: center;"&gt;
&lt;div class="saportecontainer" style="text-align: center;"&gt;&lt;img style="border: 0px;" src="http://farm4.static.flickr.com/3170/2293928441_2d1b4e9642.jpg?v=0" alt="" width="349" height="247" /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; Comove ver uma pessoa que vê a luz da esperança, e do nada apagam-na, comove ver esta pessoa por sabermos que é uma sociedade. Comove saber que esta sociedade é injustiçada, paupérrima, infeliz e mísera. Ele é estrangulado pela multidão, mas também ele estrangula e cada pessoa que faz parte dessa multidão é estrangulada e estrangula o que vai ao seu lado. Cada um por si, porque ninguém ajuda.&lt;/p&gt;</content>
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    <id>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:estupidomaestro:4485</id>
    <author>
      <name>Pedro Emanuel Cabeleira</name>
    </author>
    <link rel="alternate" type="text/html" href="http://estupidomaestro.blogs.sapo.pt/4485.html"/>
    <issued>2010-09-26T11:37:55</issued>
    <title>"Billy Elliot". Um rapaz que dança e uma sociedade que se revolta.</title>
    <published>2010-09-26T10:59:18Z</published>
    <updated>2010-09-26T10:59:18Z</updated>
    <category term="billy elliot"/>
    <content type="html">&lt;p&gt;Um jovem dançarino que aprendeu a dançar.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div class="saportecontainer" style="text-align: center;"&gt;
&lt;div class="saportecontainer" style="text-align: center;"&gt;&lt;img style="border: 0px;" src="http://i995.photobucket.com/albums/af78/dltbxkf/BillyElliot2000DVDRipXviDAC3CD1-WAF.png" alt="" width="359" height="165" /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Bairros que enclausuram os seus habitantes, e assim limitam as suas vivências e mentalidades. Billy Elliot não retrata a perseguição de um sonho, mas uma sociedade necessitada de um devir transformativo da sua regularidade. Duas lutas, um jovem que luta para alcançar aquilo que nem ele próprio conhece, e homens que lutam contra o poder.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div class="saportecontainer" style="text-align: center;"&gt;&lt;img style="border: 0px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_0vQepF4TXY0/TCYAc49E0lI/AAAAAAAAGfc/nIEL-ENrohU/s1600/Billy+Elliot.png" alt="" width="351" height="155" /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Quando amamos algo precisamos de o conhecer? Não será essa paixão intrínseca à nossa mecânica? Um rapaz cuja energia infinita se liberta com a dança, uma comunidade que o constrange postulando as normas da convencionalidade. Trata-se de um retrato fiel da firmeza do fado? Ou será Billy Elliot tudo menos fatalista e completamente humanista?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div class="saportecontainer" style="text-align: center;"&gt;&lt;img style="border: 0px;" src="http://img.photobucket.com/albums/v289/billythesquid/blog%20images/Movies-Billy-Eliot.jpg" alt="" width="352" height="165" /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="saportecontainer" style="text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="saportecontainer" style="text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt; Surge a necessidade num ser quotidiano, uma necessidade de libertação, uma necessidade incompreendida por muitos e a beleza no movimento corporal irá prevalecer sobre as leis sociais vigentes. Ao tratar-se de uma história cuja emocionalidade é elevada, a mudança surge quando mais necessário, aumentando por completo os níveis emocionais do espectador. Surge assim um filme sobre beleza humana, não só a beleza do talento, mas a beleza do sentimento, da força e da bondade. Torna-se aprazível assistir a uma obra onde a carga emocional toca o espectador, a solidariedade revela humanidade, descobrindo o altruísmo na frieza. A mudança que se espera não surge, mas sim outra diferente que surpreende.&lt;/p&gt;</content>
  </entry>
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    <id>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:estupidomaestro:4227</id>
    <author>
      <name>Pedro Emanuel Cabeleira</name>
    </author>
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    <issued>2010-09-21T18:37:40</issued>
    <title>"O Joelho de Claire". Esbeltas montanhas, tórridos corpos e l´amour.</title>
    <published>2010-09-21T17:52:15Z</published>
    <updated>2010-09-21T17:52:15Z</updated>
    <category term="o joelho de claire"/>
    <content type="html">&lt;p&gt;As personagens são meras cobaias para se estudar uma situação. Rohmer brinca aos fantoches com os seus personagens. Tenta descobrir uma moralidade infinitamente ambivalente e demarcar a sua ambivalência. A força do sentido da paixão, momentânea ou construída.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div class="saportecontainer" style="text-align: center;"&gt;&lt;img style="border: 0 none;" src="http://www.bakchich.info/IMG/jpg_Brialy-et-Luchini.jpg" alt="" /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Qual o recurso para cimentar laços? Amizade ou atracção? Rohmer consegue prender o espectador a questionar-se constantemente, descobrir a verdade, descobrir filosofias, obriga a um novo estado de compreensão. O ser é submetido a um jogo, fica à deriva nas mãos da superioridade que o controla. Diálogos incessantes e interessantes, revelam personagens inteligentes que se movimentam com clareza no ecrã.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div class="saportecontainer" style="text-align: center;"&gt;&lt;img style="border: 0px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_4Xw1pFb18uE/R-BclEi2x3I/AAAAAAAAFmc/UNgmrJiwobs/s320/%E6%9A%B4%E9%A3%8E%E6%88%AA%E5%B1%8F20080318154812.bmp" alt="" width="313" height="222" /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A proximidade entre o personagem e o espectador varia entre o distanciamento longo e curto. Os afectos são verificados não por uma descoberta visual evidente mas por um sentimento de análise. Temos a perspectiva de um homem que irá ter um Verão livre em relacionar-se, um teste a ele próprio para se estudar uma situação no global. O humano está confinado a atracções, e perguntemo-nos se existirá uma derradeira atracção, a final, que jamais se equipará a qualquer outra.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div class="saportecontainer" style="text-align: center;"&gt;&lt;img style="border: 0 none;" src="http://a6.idata.over-blog.com/2/04/62/62/Photothek-7/Ectac.Le-Genou-de-Claire.03.jpg" alt="" width="319" height="236" /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Um estudo interessante, não surgirá constantemente novas paixões, belas como as montanhas que rodeiam jovens raparigas na flor da idade? O homem é submisso aos seus instintos ou aguentará manter-se fiel aos seus escrúpulos? Uma questão lança outra questão e Rohmer é um realizador eficaz, um verdadeiro antropólogo, um senhor da minúcia humana. Consequentemente O Joelho de Claire é um filme que atrai pelo seu erotismo escondido e pela sua sensualidade aberta.&lt;/p&gt;</content>
  </entry>
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    <id>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:estupidomaestro:3862</id>
    <author>
      <name>Pedro Emanuel Cabeleira</name>
    </author>
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    <issued>2010-09-20T14:18:21</issued>
    <title>"Sacanas Sem Lei". Cinema, cinema!</title>
    <published>2010-09-20T13:33:16Z</published>
    <updated>2010-09-20T13:33:16Z</updated>
    <category term="sacanas sem lei"/>
    <content type="html">&lt;p&gt;Em Sacanas Sem Lei há respeito pelos princípios cinematográficos. Partindo da análise respeitante à essência cinematográfica como matéria-prima, posso concluir que esta película recorre a ela com uma fluência original e prometedora.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div class="saportecontainer" style="text-align: center;"&gt;&lt;img style="border: 0px;" src="http://thefilmtalk.com/misc/inglourious-basterds.jpg" alt="" width="424" height="170" /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Movimento! Cinema é movimento. Tarantino consegue captar extraordinariamente o movimento. Supera as suas referências na medida em que utiliza a herança da melhor maneira possível. Audaz no modo como reutiliza o que foi deixado para trás, Sergio Leone conduz Tarantino nesta obra. Transportar o que o Western pode representar para a Guerra foi um trunfo. A maldade e astúcia, os confrontos e os tiros implacáveis são características comuns a estes dois géneros.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div class="saportecontainer" style="text-align: center;"&gt;&lt;img style="border: 0px;" src="http://mesaboemia.files.wordpress.com/2010/06/inglourious_basterds-still-2.jpg" alt="" width="424" height="189" /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Voltando ao movimento, uma característica preponderante para compreender o resultado de Sacanas Sem Lei, temos que compreender que para este funcionar, há que funcionar o movimento. O movimento é na realidade aquilo que consegue destacar o cinema das restantes artes.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div class="saportecontainer" style="text-align: center;"&gt;&lt;img style="border: 0px;" src="http://littleimg.com/files/2274_a9g0u/Inglourious.Basterds.720p.BluRay.x264-METiS%20(1).png" alt="" width="425" height="184" /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Como tal, Tarantino eleva o cinema duplamente. Não só por homenageá-lo trabalhando meticulosamente o que se insere no campo visual do espectador, mas também por dar término a uma monstruosidade através da sétima arte. Conhecendo tão profundamente o modo de realizar um filme, emociona então a partir do momento em que passam os créditos iniciais, uma música lírica soa ao mesmo tempo que nos apercebemos que iremos assistir a algo memorável, grandioso como "The Green Leaves of Summer".&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div class="saportecontainer" style="text-align: center;"&gt;&lt;img style="border: 0px;" src="http://a35mm.files.wordpress.com/2010/01/inglourious-basterds.jpg" alt="" width="437" height="182" /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; A qualidade do diálogo, já e prática comum na obra de Tarantino, e aqui não é excepção. A fotografia melhora, os restantes aspectos técnicos estão cada vez mais cuidados, a banda sonora reaproveitada mas eficaz e personagens, como sempre, bem caracterizados e representados.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div class="saportecontainer" style="text-align: center;"&gt;&lt;img style="border: 0px;" src="http://www.examiner.com/images/blog/EXID22337/images/Inglourious_Basterds.jpg" alt="" width="441" height="209" /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Somos submetidos ao factor surpresa, nesta obra que transparece um pouco o absurdo e o exagero, que acaba por ser interessante quando nas devidas proporções. Momentos inesquecíveis, Sacanas Sem Lei revela-se uma obra que não compromete e inova no género conseguindo sempre deixar o espectador incrédulo. E como Raine diz no final do filme a Utivich, "I believe this is my masterpiece", não direi que seja esta a derradeira "masterpiece" de Tarantino, mas sim uma das suas. A obra dirige-se assim para um novo patamar de congratulação, assume-se como um filme revigorante do cinema moderno, e sobretudo uma delícia para o espectador que pode desfrutar duas horas e meia incomuns.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;</content>
  </entry>
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    <id>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:estupidomaestro:3823</id>
    <author>
      <name>Pedro Emanuel Cabeleira</name>
    </author>
    <link rel="alternate" type="text/html" href="http://estupidomaestro.blogs.sapo.pt/3823.html"/>
    <issued>2010-09-18T19:09:33</issued>
    <title>"O Padrinho: Parte II" A sequela vencedora</title>
    <published>2010-09-18T18:52:07Z</published>
    <updated>2010-09-18T18:52:07Z</updated>
    <category term="o padrinho: part ii"/>
    <content type="html">&lt;p&gt;Sequela de um épico memorável. 2ª Parte de uma obra incrivelmente bem elaborada. Estes dois primeiros filmes são notáveis pela forte presença do cinema. A imponência é inesquecível, o resultado é fabuloso, e assim The Godfather: Part II surge tão extraordinário como o primeiro.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div class="saportecontainer" style="text-align: center;"&gt;&lt;img style="border: 0px;" src="http://www.imcdb.org/images/002/330.jpg" alt="" width="355" height="183" /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A viagem por uma família poderosa, sentimos o seu poder, e centramo-nos em dois personagens, pai e filho. A analogia entre o comportamento de um e de outro é impecável, dois modos de liderar diferentes mas arrepiantes. Temos um "old-fashioned" Vito e um moderno e mais pragmático Michael.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div class="saportecontainer" style="text-align: center;"&gt;
&lt;div class="saportecontainer" style="text-align: center;"&gt;&lt;img style="border: 0px;" src="http://labuzamovies.com/Godfather_2_files/final%20intro.jpg" alt="" width="363" height="182" /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Nesta sequela seguimos a funcionalidade da primeira obra, a força da liderança, o poder da presença da personagem Chefe no ecrã. Prosseguimos com a criminalidade e ilegalidade ao mesmo tempo que acompanhamos a ascendência de Vito Corleone ao poder. Esta segunda obra da trilogia pode ser dividida em duas partes igualmente geniais, uma parte quase biográfica e deliciosa ao acompanhar a subida de Vito e outra parte também ela um pouco biográfica, mas com uma intriga que balanceia entre o mistério e o filme de gangster.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div class="saportecontainer" style="text-align: center;"&gt;&lt;img style="border: 0px;" src="http://bleepbleepbleep.files.wordpress.com/2009/03/godfather_kiss_of_death1.jpg" alt="" width="350" height="185" /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;É realmente interessante perceber as posturas diferentes de comandar destas duas personagens. A epopeia de chegada ao poder de Vito Corleone, na minha opinião, é sem dúvida dos momentos mais brilhantes da história do cinema. Jovem e débil rapaz, injustiçado e ciente das injustiças, acabará por subir ao trono com um espírito de coragem e altruísmo. A comparação que há entre Vito e os antigos cavaleiros, sempre respeitados pela sua benevolência, força e audácia revela aquela personagem como transportada de uma fábula para um campo improvável e um pouco irrespirável para esse cavalheirismo clássico. Robert de Niro é impressionante, a sua presença no ecrã como Don é no mínimo espectacular, a calma, a perseverança, a condescendência e o raciocínio são atributos que facilmente qualificamos a personagem pela sua actuação e também por uma realização capaz.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div class="saportecontainer" style="text-align: center;"&gt;&lt;img style="border: 0px;" src="http://www.dvdbeaver.com/film/DVDCompare/godfather2/r2_6.jpg" alt="" width="351" height="192" /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Do outro lado, se assim o poderei dizer, encontra-se outro jovem, que ao contrário da filantropia de Vito, tem mais tendência a isolar-se, um homem que luta pelos seus interesses de um modo demasiado sóbrio e assustador. A concentração de Michael é arrebatadora, a sua postura tende para a utilidade e menos para os laços, evidencia egoísmo e a pressão do poder, menos escrupuloso e misericordioso não receia ficar só desde que se traduza na sua liderança.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div class="saportecontainer" style="text-align: center;"&gt;&lt;img style="border: 0px;" src="http://www.brycezabel.com/photos/uncategorized/2007/11/06/godfather.jpg" alt="" width="357" height="206" /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O clássico e moderno conjugam-se, como o Mundo é magnetizado para o isolamento, acaba-se a força colectiva, vive-se em torno de um Sol, e esse Sol acabará por queimar tudo que se aproxime demasiado perto. Michael é Sol, Vito é profeta tornado mito. O respeito será diferente, um é amado, outro é temido, ambos poderosos e líderes eficazes. Um grandioso clássico que rasga a veia temporal, caminha pela eternidade com tal voracidade que o torna inquebrável. O Padrinho não são gangsters a brincar aos tiros, O Padrinho é exactamente o que o titulo nomeia, o retrato de dois reis natos que apadrinharam uma comunidade tornada família.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div class="saportecontainer" style="text-align: center;"&gt;&lt;img style="border: 0px;" src="http://images.blu-ray.com/reviews/2441_5.jpg" alt="" width="355" height="214" /&gt;&lt;/div&gt;</content>
  </entry>
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    <id>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:estupidomaestro:3393</id>
    <author>
      <name>Pedro Emanuel Cabeleira</name>
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    <issued>2010-09-15T13:29:58</issued>
    <title>"Oldboy" A importância da narrativa</title>
    <published>2010-09-15T13:00:20Z</published>
    <updated>2010-09-15T13:00:20Z</updated>
    <category term="oldboy"/>
    <content type="html">&lt;p&gt;Quando vi Oldboy pela primeira vez, fiquei claramente arrasado e pasmado pela sua história. A história de Oldboy é provavelmente das histórias mais bem conseguidas a serem transportadas para o cinema. Das tramas mais profundas que vi a serem executadas no ecrã. Temas fortes, personagens fortes e vivemos quase uma fantasia crua e avassaladora.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div class="saportecontainer" style="text-align: center;"&gt;
&lt;div class="saportecontainer" style="text-align: center;"&gt;&lt;img style="border: 0px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_EArLZ0B9RHk/TE3Ux6MLIiI/AAAAAAAAAL4/SNJvQkZn7UU/s1600/Oldboy%5B(029634)18-13-26%5D.JPG" alt="" width="423" height="176" /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; Um homem durante quinze anos esteve preso, preso sem saber porquê, preso por algo que cometeu, e assim abandonou a sua vida. Um pródigo guião neo-noir transporta-nos para a sensação claustrofóbica de estar preso num quarto. O homem transforma-se em carne e osso e quase que o calor do sangue o abandona, torna-se frio, e num estado de depuração procura quem arruinou a sua vida.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div class="saportecontainer" style="text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="saportecontainer" style="text-align: center;"&gt;&lt;img style="border: 0px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_acbFcMXPHxs/S8UHbJSzvOI/AAAAAAAADA0/xUofwnFgoiQ/s1600/oldboy.jpg" alt="" width="435" height="185" /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; Mas antes de sabermos quem, queremos saber o porquê. E assim vai-se desenvolvendo uma das mais estranhas, bem estruturadas, surpreendentes tramas da história do cinema. Quase como um difícil jogo de montagem, Oldboy é um exercício complicado para o espectador, uma não convencional história, um não convencional acto cinematográfico. Visceral, violento e hediondo, imperdível. Oldboy trata-se de humanidade, da falta dela, da condição humana, de uma lágrima que ecoa solitária num rosto inexpressivo. Surrealista, não evocando tanto uma realidade alternativa, mas uma realidade "irreal", exacerbar o acontecimento, tornar seco e revelar as entranhas da maldade, reside aí a estranheza.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div class="saportecontainer" style="text-align: center;"&gt;&lt;img style="border: 0px;" src="http://www.beyondhollywood.com/posterx/oldboy3.jpg" alt="" width="429" height="185" /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Oldboy é uma película una, assaz intrigante e verdadeiramente inquietante, não uma das derradeiras obras-primas da sétima arte, mas um filme que resulta porque quase que seria impossível de não resultar, funciona por si mesmo, não precisaria claramente de uma genial direcção, mas até esta é bem sucedida, evocando planos por vezes também eles surpreendentes na sua beleza comedida, na sua organização nem sempre estável, optando claramente pela densidade de filmar um personagem de cima para baixo, um momento, uma técnica que fascina como sempre. O cinema é arte e há momentos cinematográficos que são pura arte. Penso que o final de Oldboy é pura arte. O último momento antes dos créditos finais, é excepcional, puramente indecifrável como o sorriso de Mona Lisa, simples e belo, uma jovem abraça um homem, este sorri, e depois, num exercício fenomenal do actor, deixa de sorrir, ou continuará a sorrir? Sofrerá pelo esquecimento ou pela lembrança? Estará feliz? Genial.&lt;/p&gt;</content>
  </entry>
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    <id>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:estupidomaestro:3151</id>
    <author>
      <name>Pedro Emanuel Cabeleira</name>
    </author>
    <link rel="alternate" type="text/html" href="http://estupidomaestro.blogs.sapo.pt/3151.html"/>
    <issued>2010-09-13T22:32:22</issued>
    <title>"De Olhos Bem Fechados". A derradeira obra de um mestre.</title>
    <published>2010-09-13T21:43:03Z</published>
    <updated>2010-09-15T12:10:52Z</updated>
    <category term="de olhos bem fechados"/>
    <content type="html">&lt;p&gt;Na minha óptica Stanley Kubrick foi um dos melhores e continua sê-lo. Mesmo após a sua morte, as suas obras além de serem variadas no género, são também marcantes. Eyes Wide Shut, o seu último filme, só o vem corroborar. Uma obra formidável, espectacular, e um thriller com uma formalidade arrebatadora. Um filme repleto de grandes momentos, desde o seu início com a belíssima valsa de Shostakovich, até ao final que termina curiosamente com a mesma valsa. Iremos dançar ao longo do filme com Dr.Bill e a sua atraente mulher nas suas obsessões mais profundas e na sua impotência em concretizar o adultério.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div class="saportecontainer" style="text-align: center;"&gt;&lt;img style="border: 0px;" src="http://filmgrab.files.wordpress.com/2010/07/3-party.png" alt="" width="367" height="247" /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ao longo do filme este jovem casal que ascendeu na escada social nova-iorquina é tentado a enganar-se mutuamente, talvez fruto do acaso ou da resistência, acaba por não acontecer. Kubrick estuda assim o ciúme e a falta de concretização pessoal de uma maneira muito fria. A intimidade do casal é exposta a nu, literalmente. Começamos com um belo plano de Nicole Kidman, a mulher do médico, a vestir-se, ao mesmo tempo Shostakovich invade-nos. E depois vem o onírico, o jogo de luzes e de cores de Kubrick é fantástico, na festa somos avassalados pelo poder da imagem ao transformar a realidade em sonho, o poder do surreal, a ligeira neblina causada pelas fortes luzes natalícias, começa o jogo entre o casal. Surgem oportunidades para se tornarem infiéis, mas não as chegam a concretizar, apenas no pensamento.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div class="saportecontainer" style="text-align: center;"&gt;&lt;img style="border: 0px;" src="http://filmgrab.files.wordpress.com/2010/07/28-smile.png" alt="" width="387" height="299" /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Mais tarde num diálogo brilhante entre o casal, Kidman revela de uma forma brilhante e forte os seus desejos profundos ao personagem de Cruise, excepcional este diálogo, imperdível, representado ferozmente, Kidman consegue traduzir na perfeição a ironia que irá causar a insegurança de Dr. Bill. Este diálogo irá estar na base da trama que se segue, o jovem doutor fica perturbado pela revelação, a paranóia invade-o, sente-se incapaz, a insegurança inunda-o e então precisa de reafirmar-se. Insere-se nos meios ambíguos e tristes de Nova York, mas sempre sem sucesso. Até que lhe é dada a oportunidade de ir a uma estranha festa. Necessitado não de satisfação sexual, mas de saber que ainda é capaz de satisfazer, Dr.Bill irá a essa festa carnal. Mas nem tudo corre bem, e numa das cenas mais perturbantes do filme, talvez a sua melhor cena, e das melhores cenas que vi até hoje, com fundo de Nuages Gris de Liszt, Cruise é descoberto, a cena da encenação (?), as máscaras fantasmagóricas e arrepiantes, a maneira como fitam Bill, a luz no centro a iluminar o seu terrível líder, o auge do thriller.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div class="saportecontainer" style="text-align: center;"&gt;&lt;img style="border: 0px;" src="http://filmgrab.files.wordpress.com/2010/07/40-onlooker.png" alt="" width="401" height="301" /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; A partir daqui começa a ficar um ritmo irrespirável para Bill e mesmo para quem vê o filme. O mistério começa a tomar uma postura cada vez mais fascinante, mais dentro do seu próprio género, somos encaminhados nas suas ambiguidades, ocultados pela sua cortina de ferro, e a lugubridade começa a tirar cor a esta fábula sobre a obsessão sexual. Bill vê-se dentro de um quebra-cabeças, tenta resolvê-lo. Acaba por ser resolvido? De certo modo sim, de certo modo não. Duvido que a resolução seja assim tão fácil, e assim fiquei com uma solução incerta, talvez porque procure algo mais, talvez porque não me acomode tão facilmente, mas é um filme digno de reconhecimento, um filme onde cada pessoa tira as suas próprias conclusões, é livre de conjecturar, um filme que dá para pensar.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div class="saportecontainer" style="text-align: center;"&gt;&lt;img style="border: 0px;" src="http://filmgrab.files.wordpress.com/2010/07/59-mask.png" alt="" width="380" height="310" /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; Não nos constrange de modo nenhum no seu plot, posso dizer que Eyes Wide Shut é um filme que me ficará na memória, a sua elegância, a sua estrutura, a sua frieza, a sua ambiguidade, as suas certezas, o seu onírico, a sua postura pecaminosa, a maneira clássica e formal com que Kubrick filma adequa-se na perfeição, um estilo primoroso e apelativo. Um aplauso para o final: a derradeira palavra que fecha esta encruzilhada, está muito bem escolhida, penso que é primordial no sentido do filme. E depois... a fantasia de Shostakovich e a sua valsa nº2. Acaba assim o esbelto pesadelo de Dr.Bill, terrível, estético e clássico. Um pesadelo que remete o espectador para algo inquietante e ao mesmo tempo, repleto de calma, uma realidade traumatizante.&lt;/p&gt;</content>
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