Terça-feira, 21 de Dezembro de 2010

Vivemos numa realidade alternativa representada por uma caricatura de um Nixon narigudo. Estamos nos anos 80 e os super-heróis, complexos na sua humanidade, são afastados por uma sociedade mal agradecida. Super-heróis frágeis que revelam insegurança, escondidos em máscaras, abandonados pela população, nostálgicos, procuram o ouro que luziu nos seus tempos áureos. Não passam de carne flácida escondida num disfarce citadino e o mais eficaz. O mundo deixa de precisar de super-heróis, está tão absorvido pela sua ignorância e maldade que esquece que mais tarde ou mais cedo vai acabar por explodir. Seres incríveis que tentaram um mundo mais respirável. Ostracizados pela sociedade, ultrajados pela sua existência, e assim surgem Watchmen, seres humanos com capacidades sobre-humanas, tornados mitos esquecidos. A sociedade esqueceu-os, mas eles não esqueceram a sociedade. Num último fôlego, este bando de super-heróis irá regressar à prática que a ele é subjacente.

 

 

Duas vidas valem mais que uma? Terá um indivíduo, o mais inteligente de todo o mundo, a capacidade de decidir pelo resto da humanidade?

 

 

 

Watchmen usa uma comunicação moderna, trata-se de um método amplificador de sensações. Utilizam-se artifícios que simplesmente caminham para uma verosimilhança ampliada intrínseca a um sucesso em transmitir um plano. Absolutamente necessário esta ostentação de recursos digitais, que emolduram Watchmen em arte. O espectador dedica-se à aprazível descoberta visual, à alteração de velocidades do movimento. As maravilhas tecnológicas são úteis quando utilizadas de modo correcto e perspicaz, incrementam o fascínio do espectador por aquilo que lhe passa perante os olhos.

 

 

 

Zack Snyder de certo modo exagera em 300 mas acerta em Watchmen. Consegue uma película extensamente visual que funciona como uma elegia à condição humana. Sabemos pois que ninguém nos guarda, teremos nós próprios de salvaguardar a nossa existência, caso a não esquecer.

publicado por Pedro Emanuel Cabeleira às 11:39
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