Segunda-feira, 13 de Dezembro de 2010

“Em Bruges” há melancolia no anódino transeunte, no turista enganado.

 

 

 

Sobre um belíssimo toque de piano, uma paisagem cinzenta que transborda misticismo, um homem atravessa o seu período mais crítico de depuração.

 

 

Uma cidade medieval, um abandono constante de alma, uma tentativa de se perceber a ele próprio, Em Bruges há um misto tão forte de alegria e tristeza, há aquela paradoxal conjuntura de humor negro e tristeza sem qualquer humor.

 

 

“Em Bruges” é das mais belas elegias ao acto de rendição de um homem, de um assassino. As lágrimas ferem incessantemente o espírito, e em vez de libertarem, prendem, encerram o espectador na agonia, tornam o movimento sentimental fortíssimo, talvez pelo seu ritmo não tão frenético. Imagens inesquecíveis, líricas, pura poesia que transborda de planos e acordes musicais que emanam magia, de emoções organicamente humanas. Tal como num registo fatalista, existe uma predestinação neste filme, Bruges bem pode ser o fim de todos, como pode ser o começo.

 

 

 

Bruges poderá ser a cidade que fecha quem lá passa. “Em Bruges” é tão cruel o acto de sentirmos os nossos sorrisos fúteis, de haver comédia em situações tão sóbrias de si. O que se passa é que assistimos a uma brincadeira séria inesperada, gritante e irrespirável. Este cocktail vibrante torna-se tão delicioso e saudável. E quando somos totalmente atingidos pelo voraz estalo que este filme nos dá, iremos repelir qualquer felicidade mordaz que nos ocorreu por momentos cómicos tão dignos de referência.

 

 

 

Penso que "Em Bruges" não seja um filme de chorar a rir, mas sim um filme de chorar apenas pela sua sublime existência, por ser uma matéria-prima tão concisa de emocionalidade.

publicado por Pedro Emanuel Cabeleira às 10:00
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