Segunda-feira, 20 de Setembro de 2010

Em Sacanas Sem Lei há respeito pelos princípios cinematográficos. Partindo da análise respeitante à essência cinematográfica como matéria-prima, posso concluir que esta película recorre a ela com uma fluência original e prometedora.

 

 

Movimento! Cinema é movimento. Tarantino consegue captar extraordinariamente o movimento. Supera as suas referências na medida em que utiliza a herança da melhor maneira possível. Audaz no modo como reutiliza o que foi deixado para trás, Sergio Leone conduz Tarantino nesta obra. Transportar o que o Western pode representar para a Guerra foi um trunfo. A maldade e astúcia, os confrontos e os tiros implacáveis são características comuns a estes dois géneros.

 

 

Voltando ao movimento, uma característica preponderante para compreender o resultado de Sacanas Sem Lei, temos que compreender que para este funcionar, há que funcionar o movimento. O movimento é na realidade aquilo que consegue destacar o cinema das restantes artes.

 

 

Como tal, Tarantino eleva o cinema duplamente. Não só por homenageá-lo trabalhando meticulosamente o que se insere no campo visual do espectador, mas também por dar término a uma monstruosidade através da sétima arte. Conhecendo tão profundamente o modo de realizar um filme, emociona então a partir do momento em que passam os créditos iniciais, uma música lírica soa ao mesmo tempo que nos apercebemos que iremos assistir a algo memorável, grandioso como "The Green Leaves of Summer".

 

 

 A qualidade do diálogo, já e prática comum na obra de Tarantino, e aqui não é excepção. A fotografia melhora, os restantes aspectos técnicos estão cada vez mais cuidados, a banda sonora reaproveitada mas eficaz e personagens, como sempre, bem caracterizados e representados.

 

 

Somos submetidos ao factor surpresa, nesta obra que transparece um pouco o absurdo e o exagero, que acaba por ser interessante quando nas devidas proporções. Momentos inesquecíveis, Sacanas Sem Lei revela-se uma obra que não compromete e inova no género conseguindo sempre deixar o espectador incrédulo. E como Raine diz no final do filme a Utivich, "I believe this is my masterpiece", não direi que seja esta a derradeira "masterpiece" de Tarantino, mas sim uma das suas. A obra dirige-se assim para um novo patamar de congratulação, assume-se como um filme revigorante do cinema moderno, e sobretudo uma delícia para o espectador que pode desfrutar duas horas e meia incomuns.

 

 

publicado por Pedro Emanuel Cabeleira às 14:18
|

De Diogo Figueira a 23 de Setembro de 2010 às 11:58
Parabéns pelo texto, um dos que mais gostei.

Muito interessante o ponto de partida que adoptas - o Western. Nunca tinha pensado nas coisas dessa forma, mas agora parece-me que sim, encaixa-se num filme do género, paradoxalmente violando todas, ou quase, as suas regras.

É de facto magnífica a forma como Tarantino aqui articula uma fotografia certamente melhorada, um novo argumento brilhante, muito original, em que os diálogos são cada vez melhores, com particular enfoque na criação e desenvolvimento de um dos melhores vilões de sempre (Col. Hans Landa), um humor como sempre satírico, irónico, negro.

Não digo que seja a sua "masterpiece", já que gosto mais de Pulp Fiction e dos Kill Bill, mas é um filme fabuloso, sem dúvida.

De Diogo Figueira a 23 de Setembro de 2010 às 11:58
Esqueci-me de algo: aquele plano em que está a cara da Shoshana no ecrã do cinema, com as chamas por baixo, está muito, muito poderoso.

De Pedro Emanuel Cabeleira a 23 de Setembro de 2010 às 18:18
Obrigado Diogo! Concordo contigo, Tarantino evoluiu tecnicamente, Kill Bill também já revelava uma fotografia de grande qualidade. Sim, como sabes, Inglourious Basterds na minha opinião não é a sua masterpiece , o meu favorito é Pulp Fiction .
Penso que Tarantino conseguiu colocar Inglourious Basterds na história do cinema, e por dois motivos que referenciaste, Landa , e esse grande plano magnifico de Shoshana , sem duvida marcante.

De Jorge a 23 de Setembro de 2010 às 22:24
Eu vou mais longe, é mesmo o meu Tarantino preferido (apesar de os Kill Bill's e o Pulp Fiction serem outras excepcionais obras). É magnífico, e de facto soa a Leone diversas vezes, então aquela cena inicial recorda um pouco a tranquilidade e o ambiente de tensão do correspondente início de Once Upon a Time in the West. Embora sejam feitas e concluídas de modo diferente. O que interessa é a forte influência do cineasta italiano em Tarantino. E como eu gosto disto, já agora para quando um filme de Sergio Leone aqui no blogue? gostaria de ler uma análise tua.

Em relação a este Basterds, destaco de tudo o que foi dito a fotografia, as personagens, e a grande realização, que sabe nos contar uma história com o seu tempo, o seu ritmo, através de diálogos e acções tão bem delineadas.

abraço

De Pedro Emanuel Cabeleira a 24 de Setembro de 2010 às 11:17
Eu só não digo que seja melhor que Pulp Fiction , porque Pulp Fiction é o meu filme favorito entre todos os filmes que vi até hoje! Mas sim, muito provavelmente (a seguir a Pulp Fiction , na minha opinião), Inglourious Basterds é o melhor de Tarantino ! Quanto a um filme do Leone , é um desafio que irei aceitar, vou ver se consigo ver "Aconteceu no Oeste", para o comentar . Vi "Era uma Vez na América", mas como foi um filme que não me inspirou muito, não escrevi nada sobre ele, mas posso tentar com "Aconteceu no Oeste".

Abraço

De bom detective privado a 29 de Novembro de 2011 às 02:07
Boas mt thanks isto é bastant agradavel... esse post foi enriquecedor. paxei a ser guest frequente a 100 aqui do blog! abraço


mais sobre mim
pesquisar
 
Setembro 2010
D
S
T
Q
Q
S
S

1
2
3
4

5
6
7
8
9
10
11

12
14
16
17

19
22
23
24
25

28
29
30


Últ. comentários
Embora o filme não seja nenhuma obra prima, penso ...
Boas mt thanks isto é bastant agradavel... esse po...
DIOGO: Muito obrigado pelo comentário.BRUNO: Sê be...
Obrigado. Diogo, já debatemos muito a genialidade ...
Pedro, excelente texto. Parabéns - por este, e pel...
arquivos
subscrever feeds

blogs SAPO


Universidade de Aveiro