Quinta-feira, 02 de Setembro de 2010

Tenho a impressão que quando “Psico” estreou em 1960, o sangue gelou a uma infinita multidão que se pasmou ao ver aquilo que é até hoje, um marco cinematográfico. Hitchcock criou raízes no cinema, “Psico” atinge tal profundidade que será difícil de arrancar. Invejo quem assistiu à sua estreia, quem sentiu o seu poder inicial, quem pode respirar pela primeira vez este doloroso drama, esta memorável intriga.

 

 

Vísceras e vermelho escorrem do ecrã, mesmo quando este inunda preto e branco. Sombra, luz, som que arrepia, imagens milimetricamente perfeitas, movimentos assombrosos. Um olho rodopia, ou seremos nós que rodopiamos de tal modo atordoados por um dos mais marcantes assassínios que passaram pela tela?

 

 

O cepticismo bem poderá ter transbordado nas mentes dos espectadores. Mas no final, tão intenso como todo o filme, regozijamos, regozijamos porque vimos cinema! Vimos arte! Vimos algo singular em toda a nossa vida! Orgulho-me de ter visto e vivido “Psico”. Morei ao lado de Norman Bates, conduzi com Marion e arrepiei-me com Hitchcock.

 

 

Como se poderá esquecer o clima de cortar a respiração comandado por uma banda sonora tão profunda como a própria história. Cheira a mestria esta comunhão de som e movimento e luz. Inegável será dizer que assenta que nem uma luva, uma fusão tão perfeitamente enquadrada. Um sentimento arrebatador abate o espectador no final, impressiona.

 

 

Os pontos finais e vírgulas irão marcar cada pulsação, as transacções de cena para cena, os personagens que estão intimamente ligados à conjuntura consagrada em “Psico” transformarão uma película numa experiência. Imaginemos nós, inspiremo-nos para tratar arte como esta se trata em tão esbeltos e virtuosos paradigmas. Atenção, “Psico” é um paradigma.

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publicado por Pedro Emanuel Cabeleira às 23:02
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De Diogo Figueira a 4 de Setembro de 2010 às 13:43
Boa crítica.

De facto, um filme magistral, arrepiante, gélido. O meu favorito de Hitchcock, logo a seguir a Rear Window.

Argumento, câmara, música e montagem, que magnífica articulação.

De Pedro Emanuel Cabeleira a 5 de Setembro de 2010 às 13:34
Muito obrigado. De facto Hitchcock criou um filme que será sempre impressionante .

De Jorge a 24 de Setembro de 2010 às 13:57
Psycho é maravilhoso, um produto que resiste ao tempo magistralmente, de tal forma que é uma inspiração no seu género e muito para além dele. Desde a fotografia perfeitamente cuidada à banda sonora electrizante e em consonância com o argumento que esta obra da sétima arte respira qualidade, irreverência e inovação. É muito bem conduzida pelo mestre Hitchcock, e na minha opinião, muito para além do twist final, o que me fascina é a sensação, sensivelmente a meio, de desarmamento, de imprevisibilidade que após a morte da protagonista impera.

Essa constante de não saber o que poderá acontecer, ou por onde o argumento se desenvolverá é terrivelmente eficaz e de uma tensão que entretém e nos deslumbra, tal a manipulação de sentidos.

É um grande grande filme, o meu preferido de Hitchcock também.

abraço

De Pedro Emanuel Cabeleira a 25 de Setembro de 2010 às 11:31
Psico na minha opinião é também o melhor de Hitchcock , e está nos meus dez filmes favoritos. Hitchcock é considerado o mestre do suspense , e se há filme que consegue representar o suspense como matéria-prima é o Psico . Psico é todo ele cinema, e muito mais, como dizes, é um arquétipo para o seu género, para o género do suspense , para o género que asfixia o espectador e só o deixa respirar quando o filme termina.


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