Quinta-feira, 02 de Setembro de 2010

Um rosto desfigurado, um corpo dorido pela batalha, e um homem arrastado para o seu fim. Decadente, “ Wrestler”, é um filme sobre um homem, este está no auge, não no auge da sua carreira, mas no auge do fim. O Wrestling assume cada vez mais uma forte presença na cultura norte-americana, milhões de pessoas vibram com o espectáculo, vivem-no como se este da sua vida se tratasse.

 

 

“O Wrestler” começa por nos propôr uma nova visão sobre brutalidade, sobre violência, aquele espectáculo não passa disso mesmo, homens poderosos que vemos nas nossas TV´s ou neste caso, ao vivo, não passam de pessoas. Uma cultura tão materialista que transforma aquele homem, aquele lutador no boneco que ele tem no carro. Os lutadores, que nos bastidores convivem alegremente, verdadeiros artistas que são transformados em produtos. Idolatrados pelo que representam, mas não pelo que são. Esforçam-se para dar o melhor espectáculo e assim aleijam-se. Wrestling não é o céu estrelado que se adivinha. Wrestling é duro e frio, magoa o corpo e a alma.

 

 

Um homem só, numa fase decadente, vive o espectáculo como há vinte anos atrás. No entanto já não é o espectáculo que o suporta a ele, mas é ele que suporta o espectáculo. Vive num atrelado, injecta-se com esteróides, vai a bares de strip e arranja um part-time onde é mal tratado. Este irá subjugar-se à vida tal como esta o deixou. Um homem que não é mau, uma pessoa com quem regularmente nos identificamos, mas uma pessoa que foi vencida, derrotado pelos anos, derrotado pela inquebrável linha temporal, e assim tenta reencontrar-se. Um reencontro tardio, não mais mudará, não mais passará daquilo que sempre foi. Moldado para ser um material que não suportará mais nada. Tentará novamente dar o salto, e Aronofski presenteia-nos com esse salto, o fascínio num plano onde o homem velho salta sobre nós como se novo fosse.

 

 

Acompanhamos este homem, respiramos ao lado dele, um registo quase documental, Aronofsky segue este artista com a sua câmara, e a verosimilhança com que esta história nos é contada marca este filme. O artifício da filmagem faz com que o espectador sinta veemente aquilo que vê, que haja um período de reconhecimento, e assim o realizador consegue uma realização necessária, uma opção não pelo mais belo e poético estilo, mas sim aquele que resulta melhor, aquele que irá desmascarar a realidade, e assim tudo é verdadeiro em Wrestler.

publicado por Pedro Emanuel Cabeleira às 17:25
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